Justiça bloqueia bens da Máfia do Asfalto
Grupo
está sob suspeita porque teria fraudado licitações em 78 municípios no
interior de SP com recursos de emendas parlamentares
A
Justiça Federal decretou o bloqueio de R$ 36,5 milhões dos integrantes
da Máfia do Asfalto - grupo sob suspeita que teria fraudado licitações
em 78 municípios da região noroeste do Estado de São Paulo com recursos
de emendas parlamentares.
A
medida alcança o patrimônio de 13 investigados, inclusive o empreiteiro
Olívio Scamatti, apontado como líder da organização, e o lobista
Osvaldo Ferreira Filho, o Osvaldin, ex-assessor na Assembleia
Legislativa e na Câmara do deputado Edson Aparecido (PSDB),
secretário-chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin.
O
congelamento do patrimônio do grupo foi requerido em 19 de abril pelo
procurador da República Thiago Lacerda Nobre. Em parceria com a Polícia
Federal, ele investigou a Máfia do Asfalto e denunciou 19 alvos. O
pedido de sequestro dos bens tem como objetivo garantir que, em caso de
condenação, esse dinheiro efetivamente retorne aos cofres públicos,
argumentou o procurador.
A
Justiça levou 15 dias para decidir sobre o bloqueio. A Procuradoria
temia que o grupo desmanchasse o patrimônio supostamente ilícito.
Chegaram ao gabinete de Lacerda Nobre informações de que os Scamatti
estariam orientando compradores de imóveis de um condomínio residencial
de luxo, de sua propriedade, a não depositarem as parcelas restantes.
O
procurador Lacerda Nobre sustentou à Justiça que, diante do enorme
prejuízo causado pela organização criminosa, o ressarcimento só poderia
ocorrer por meio da decretação judicial do sequestro dos bens móveis e
imóveis em nome dos envolvidos e de todas as pessoas jurídicas a eles
vinculadas.
A
ordem judicial inclui bloqueio de todas as quantias depositadas em
contas correntes e aplicações em instituições financeiras das empresas e
pessoas físicas.
O
criminalista Fábio Tofic Simantob, defensor de Osvaldin, disse que o
pedido de sequestro é uma tentativa desesperada do Ministério Público
Federal de buscar uma satisfação imediata para algo que sabem que não
vão conseguir no futuro porque esse processo da Operação Fratelli está
fadado ao insucesso.
Tofic
ataca a desproporcionalidade da medida. A acusação se baseia em duas
licitações na cidade de Auriflama, mas pede-se o bloqueio de bens sobre
obras em dezenas de municípios. Há uma incongruência. Não há prejuízo ao
Tesouro porque não se trata de superfaturamento e as obras foram
efetivamente executadas.
O
criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende Scamatti, considera
incabível o bloqueio. Há uma enorme desproporção entre o que se discute
na ação penal, fraude ao caráter competitivo em duas licitações
pequenas, de obras realizadas no interior, e o que o Ministério Público
Federal pede, disse Toron.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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