4,6 milhões ficam fora de nova lei dos domésticos, aprovada há um mês
A nova lei dos domésticos completa um mês em vigor.
Uma
grande parcela dos trabalhadores, -4,6 milhões, ou 70% do total de
domésticos do país-, porém, está à margem de qualquer benefício
estabelecido pelas novas regras: são os que não têm carteira assinada.
A
Folha conversou com domésticos que trabalham pelo menos três dias por
semana na mesma residência e, apesar disso, não têm registro. Dos
entrevistados, só uma doméstica aceitou ser identificada na reportagem.
A maioria, pela fragilidade da relação trabalhista, tem medo de se expor.
Pedi
muito, mas meu patrão não quis me dar o registro, diz Marcilene da
Silva, 28 anos, de Porto Nacional, no Tocantins, que ganha R$ 335 ao mês
trabalhando três vezes por semana, quatro horas por dia, para uma
família.
Já
dormi no serviço, de segunda a sábado, mas nem assim tive registro,
afirma, destacando que os direitos fariam muita diferença.
Há casos, porém, em que o empregado rejeita a carteira.
Muitos
afirmam que a profissão não é valorizada e sentem vergonha de ter essa
marca no documento. Outros temem ter a carteira retida pelo empregador
caso desejem sair do trabalho, ou anotações negativas no documento.
Por fim, há relatos de domésticos que recebem benefícios do governo e preferem continuar na informalidade para mantê-los.
Ruy
Braga, professor da USP e especialista em sociologia do trabalho, diz
que o alto grau de informalidade é um problema cultural. Não se
reconhece o doméstico como portador de direitos. Por lei, a
responsabilidade da formalização é do empregador.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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