Poupança pode voltar a render 0,5% ao mês mais TR
Ganho deve subir se Copom continuar elevando a taxa Selic. Previsão é que em agosto taxa esteja em 8,75% ou 9% ao ano
A
caderneta de poupança pode voltar a render 0,5% ao mês mais TR, para
todos os depósitos, a partir de agosto, caso sejam confirmadas as
expectativas de que a taxa básica juros (Selic) termine 2013 entre 8,75%
e 9,50% ao ano, intervalo que inclui as projeções de 27 dos 28
analistas consultados pelo serviço AE Projeções.
Em
maio do ano passado, o governo federal alterou as regras da caderneta
de poupança. Depósitos feitos até 3 de maio de 2012 permanecem com a
remuneração fixa de 0,5% ao mês mais TR. Aplicações feitas a partir de 4
de maio seguem a nova metodologia de cálculo: 70% da taxa Selic mais
TR. Esse porcentual, no entanto, só se aplica quando a taxa básica for
inferior a 8,5% ao ano.
Hoje,
os juros básicos da economia estão em 8% ao ano, o que faz com que a
nova poupança renda 0,4551% ao mês. A expectativa dos analistas é que
suba para 8,5% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)
marcada para os dias 9 e 10 de julho. Nesse caso, o rendimento passa
para 0,4828% ao mês. Se houver nova alta da Selic na reunião do Copom
dos dias 27 e 28 de agosto, para 8,75% ou 9% ao ano, o rendimento das
novas aplicações volta para 0,5% ao mês.
Há
ainda outro fator que vai favorecer a caderneta em relação a outros
investimentos: a volta da TR, a taxa referencial. Embora o Banco Central
continue calculando diariamente o indicador, usando principalmente na
correção da caderneta, das prestações da casa própria e do FGTS, o
resultado dessa conta segue sendo zero há dez meses. A TR é calculada
com base na taxa média dos CDBs prefixados, de 30 dias a 35 dias,
oferecidos pelos 30 maiores bancos. O cálculo inclui ainda um redutor
que torna a correção menor, compatível com os juros do setor de
habitação.
Vantagens.
Há dez anos, a TR rendia mais de 4,5% ao ano. A queda recente dos juros
já havia reduzido o peso desse indicador. Desde 7 de agosto de 2012,
época em que os juros também estavam em 8% ao ano, a TR segue zerada.
Esses
dois fatores, TR positiva e rendimento maior para todas as cadernetas
de poupanças, vão contribuir para que o rendimento da aplicação volte a
superar um número ainda maior de fundos de investimento e Certificados
de Depósitos Bancários (CDBs), oferecidos pelos bancos.
Uma
das vantagens da poupança é que a aplicação é isenta da cobrança de
Imposto de Renda e não há taxas de administração como nos fundos. A
caderneta de poupança, segundo pesquisa da Associação Nacional dos
Executivos de Finanças (Anefac), seguirá como uma aplicação mais
interessante do que a maioria dos fundos de renda fixa e DI.
Principalmente daqueles que cobram taxa a partir 1%. Também devem
continuar perdendo para a caderneta o Certificado de Depósito Bancário
(CDB) com rendimento de até 95% do CDI.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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