C.FED - Prefeito relata experiência de município com tarifa zero no transporte


Na comissão geral que debate neste momento o transporte público, o prefeito de Agudos (SP), Everton Octaviani, relatou há pouco a experiência de administrar um dos poucos municípios brasileiros que adotou a tarifa zero no transporte.


Segundo ele, o sistema conta atualmente com 14 ônibus, que percorrem cerca de 30 mil quilômetros por mês. Eles custam ao município - incluindo gastos com manutenção, salário dos motoristas e renovação da frota - aproximadamente R$ 2 milhões por ano, o que representa 2% do orçamento.

Ele explica que, após quase 11 anos com a tarifa zero, Agudos apresentou aumento de arrecadação e melhorias em diversos fatores sociais e econômicos. “Vimos um comércio que era quase inexiste ser fortalecido, os prestadores de serviço com mais facilidade para se deslocar e, assim, melhoramos as taxas de emprego e reduzimos a miséria”, relatou.

De acordo com Octaviani, o modelo sistema gratuito de transporte coletivo passou a ser viável economicamente após uma série de cortes de gastos do município. “O número de cargos comissionados foi reduzido em 70%; também houve cortes com telefonia e outros serviços”.

Ele criticou supostas relações escusas entre governantes e empresários do setor, ao privilegiar os incentivos ao transporte individual em prejuízo do coletivo.

Longa crise

O presidente da Diretoria Executiva da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Otávio da Cunha Filho, destacou que a crise no transporte vem de longa data. Segundo ele, ao longo dos anos tem sido possível observar o aumento do número de automóveis e a simultânea redução do número de ônibus circulantes. “Em 2010, 50% das pessoas se deslocaram pelo sistema público de transportes, e 50% pelo individual. Se continuarmos assim, em 2030 teremos 65% utilizando o transporte particular e apenas 35% o público”, alertou.

Ele defende um melhor aproveitamento dos recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para que sejam transformados em projetos efetivamente eficientes em termos de mobilidade urbana. Cunha Filho é favorável ainda a priorizar os ônibus nas vias públicas e a que todos os municípios com mais de 200 mil habitantes sejam obrigados a dispor de planos de mobilidade urbana desenvolvidos com participação da sociedade.

O debate prossegue no Plenário.

Fonte: Câmara dos Deputados Federais

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