Procuradores legislativos discutem reconhecimento constitucional da carreira
A
inclusão das carreiras dos procuradores do Legislativo na Constituição
Federal e a as prerrogativas e garantias funcionais dos integrantes
desses órgãos foram alguns dos temas discutidos no 2º Encontro da
Advocacia Pública do Poder Legislativo, realizado nesta sexta-feira,
23/8, na Assembleia Legislativa. O evento foi organizado pelas
procuradorias do Parlamento paulista e da Câmara Municipal de São Paulo.
Na
abertura do encontro, o deputado Carlos Neder (PT), um dos apoiadores
do evento, afirmou que o debate, inicialmente focado nas experiências da
Assembleia e da Câmara Municipal paulistana, pretende posteriormente
discutir a realidade de todos os municípios do Estado.
A
necessidade de trocar experiências na área foi realçada pelo
procurador-chefe da Assembleia Legislativa, Carlos Roberto de Alckmin
Dutra. Nossas carreiras são relativamente recentes. A Procuradoria da
Assembleia, por exemplo, foi criada pela Constituição de 1989 e
efetivamente implantada apenas em 1997, lembrou.
Esse
intercâmbio permitirá um trabalho conjunto para institucionalizar a
carreira do procurador legislativo perante a Constituição e a Lei
Orgânica da Magistratura, avaliou o chefe da Procuradoria da Câmara
Municipal, Paulo Augusto Baccarin. A Assembleia e a Câmara vivem
realidades e ameaças muito parecidas. E a advocacia legislativa é muito
diferente daquela praticada pelo Poder Executivo, declarou.
Para
o presidente da Câmara Municipal, vereador José Américo, assumir as
prerrogativas a que o Legislativo faz jus exige a qualificação do
trabalho parlamentar. Para isso é de grande importância o trabalho da
procuradoria, principalmente num momento como o atual, em que se ataca o
Poder Legislativo na tentativa de desqualificá-lo. No fundo isso é
desqualificar a democracia, completou.
Também
participou da abertura do encontro o presidente da Comissão de
Constituição e Justiça da Câmara Municipal, vereador Antonio Goulart.
Ele definiu o quadro de procuradores como de excelência e imprescindível
para o funcionamento dos parlamentos. A estrutura necessária para a
atuação do órgão, incluindo paridade de proventos com os procuradores do
município, foram algumas das questões levantadas por Goulart.
Representando o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/Seção São
Paulo (OAB/SP), Jorge Eluf Neto declarou o apoio da entidade às
conquistas que vierem a ser implementadas pelos advogados do
Legislativo.
Tribunais e Constituição
A
advocacia legislativa perante os tribunais foi o tema da primeira mesa
do encontro. A respeito do tema, o procurador Antônio Sílvio de
Magalhães Júnior, da Assembleia, lembrou que, a partir de dispositivos
do Código Civil, construiu-se a doutrina de que apenas os entes que
possuem personalidade jurídica podem agir em seu próprio nome, e as
Casas Legislativas não teriam esse status.
Ele
destacou, no entanto, que, com base no princípio constitucional da
separação dos Poderes, as entidades incluídas nessa situação teriam
capacidade processual para defender suas decisões em juízo, uma
colocação que encontra amparo nas teses do jurista Victor Nunes Leal.
Ao
exercer sua atividade de fiscalizar, o Legislativo poderá ensejar
conflitos. Se por algum motivo o Parlamento tiver sua atuação manietada,
deverá ter a possibilidade de recorrer ao Judiciário. É imperioso que à
Casa Legislativa seja dada a oportunidade de defender uma norma que ela
tenha aprovado, afirmou.
Jurisprudência do STF
Magalhães
Júnior disse que dezenas de decisões do Supremo Tribunal Federal já
reconhecem a personalidade judiciária (capacidade de ser parte em
processos judiciais) dos Legislativos. Para ele, seria incoerente que,
no caso de o Executivo estadual entrar com uma ação direta de
inconstitucionalidade contra lei aprovada pela Assembleia, a defesa do
Poder Legislativo fosse feita pela Procuradoria Geral do Estado, que
representa juridicamente o Estado.
Integrante
do quadro de procuradores da Câmara Municipal, Djenane Ferreira Cardoso
apresentou ao público alguns exemplos de casos específicos de atuação
da Procuradoria Legislativa.
Já
no debate sobre a inclusão das carreiras das Procuradorias do
Legislativo na Constituição Federal, que foi tema da segunda mesa, o
procurador da Assembleia Alexandre Kimura, presidente da Associação
Nacional dos Procuradores de Assembleias Legislativas (Anpal), disse
acreditar que esse reconhecimento é uma questão de tempo. Várias
constituições estaduais, como a de São Paulo, já contemplam a criação de
uma procuradoria do Legislativo, e o próprio Senado já o fez. Falta o
reconhecimento no âmbito federal, disse. Obtê-lo é um dos objetivos da
Anpal, reforçou.
Fonte: Assembléia Legislativa de São Paulo
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