Reforma das leis trabalhistas deve servir para elevar competitividade
O
ex-ministro Almir Pazzianotto (centro) media o diálogo entre Genival
Leite, do SINDEEPRES (esq.), e Vander Morales, do SINDEPRESTEM.
Modernizar
a legislação trabalhista consiste em eliminar entraves burocráticos e
criar leis específicas que permitam aumentar a competitividade e o
diálogo entre patrões e empregados. “Deveríamos ter pouca legislação e
muita negociação”, defendeu o ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto,
no Seminário Trabalhista que a Amcham – São Paulo promoveu na
terça-feira (25/2).
No
debate, dois sindicatos do setor de serviços, um patronal e outro de
trabalhadores, defenderam o estabelecimento de uma regulação para a
atividade de terceirização. “Depois de tantos anos de atividade,
encontrei um sindicato patronal e outro profissional que não estão em
conflito e querem a mesma coisa: uma lei que retire da
semi-clandestinidade a terceirização (de serviços) e que contribua para a
redução dos processos trabalhistas e condenações.”
Para
o ex-ministro, a legislação precisa parar de tratar os trabalhadores
como “incapazes”. “Quando criaram a CLT [Consolidação das Leis do
Trabalho], usaram como princípio que todo trabalhador é um relativo
incapaz. Que somos hipossuficientes e não temos discernimento”, critica.
Gabriel Rico, CEO da Amcham, aponta que, entre 2000 a
2012, cerca de 25 milhões de ações trabalhistas foram ajuizadas, o que
corresponde a uma média de 2,5 milhões de ações por ano. “É chocante ter
que convencer uma empresa a investir no Brasil quando ela se dá conta
dessa quantidade de ações em que ela, inevitavelmente, será envolvida”,
comenta Rico.
O
montante de questionamentos jurídicos vai se traduzir em passivos
trabalhistas, valores que as empresas serão obrigadas a provisionar nos
balanços. “Tudo isso afeta o valor internacional de mercado das
multinacionais”, acrescenta o CEO.
Autonomia em relação ao Judiciário
A
insegurança jurídica que paira sobre os acordos negociados pelas
empresas diretamente com os sindicatos de trabalhadores prejudica a
relação entre patrões e empregados. “A lei diz que todo trabalhador tem
direitos e deveres. Ela também deveria deixar as empresas livres para
fazer negociações de acordo com suas necessidades e conveniências”,
defende Eduardo Barros, diretor jurídico da Volkswagen. O executivo
também é presidente do Comitê Estratégico de Diretores e
Vice-presidentes Jurídicos da Amcham - São Paulo.
Patricia
Ulian, diretora jurídica da Cummins para a América do Sul, lembra que a
falta de flexibilidade nas relações trabalhistas também são causa de
baixa produtividade. “Do jeito que está estruturado hoje, todos os
conflitos trabalhistas têm que ser levados ao Judiciário. Isso deixa
tudo muito lento”, afirma. Outra executiva, Angélica Sampaio, diretora
de recursos humanos da ITW, também se ressente da falta de flexibilidade
da legislação trabalhista e lentidão da Justiça.
A
Johnson & Johnson buscou uma solução prática para diminuir os
conflitos trabalhistas e reduzir as sentenças desfavoráveis: melhorar as
condições de trabalho e aumentar o grau de transparência no
relacionamento com o Poder Público.
“Como
o Judiciário é complexo, resolvemos nos mostrar ao Poder Público local e
convidamos os juízes para conhecer nossas fábricas”, disse Leandro
Gomes, diretor jurídico da Johnson & Johnson. Isso ajudou os juízes a
entender o funcionamento da fábrica e a acolher denúncias comprovadas,
acrescenta o executivo.
A terceirização da mão de obra
A
terceirização de serviços é um dos segmentos da economia que mais gera
empregos, mas a falta de legislação específica para a atividade é um dos
principais entraves de crescimento. O setor público, que contrata
grande parte dos serviços terceirizados, deveria ter uma regulação mais
favorável ao setor, defende Vander Morales, presidente do SINDEPRESTEM
(Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e
Administração de Mão-de-Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São
Paulo).
A
Lei 8.666/1993 [que regula a compra de serviços pelo setor público] tem
brechas que acabam dificultando a atividade de terceirização. “Ela
determina que se contrate pelo menor preço nos pregões eletrônicos. Aí,
criam-se empresas para concorrer em licitações que não pagam direitos
trabalhistas, pois são constituídas para atuar somente no período do
contrato”, aponta Morales.
“O
Judiciário acaba generalizando que toda empresa terceirizada é
fraudadora, o que não é verdade”, acrescenta Morales. O critério de
menor preço da Lei 8.666 é a principal causa da precarização do trabalho
terceirizado, comenta Genival Beserra Leite, presidente do SINDEEPRES
(Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a
Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra, Trabalho
Temporário, Leitura de Medidores e Entrega de Avisos do Estado de São
Paulo). “Quem pode fazer um bom serviço nem se candidata (ao leilão
público). O prejuízo recai sobre o trabalhador e a própria empresa”,
disse.
Por
outro lado, Leite elogia o Projeto de Lei (PL) 4.330/2004, que prevê a
contratação de serviços terceirizados para qualquer atividade. “Há
clausulas anti-calote, que são as garantias que a empresa interessada em
concorrer tem que apresentar”, detalha. Entre elas, estão o
recolhimento de INSS e FGTS, além de uma conta onde uma parte da receita
do contrato tem que ser depositada para assegurar o pagamento de
salários.
Fonte: Câmara Americana de Comércio
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