CPI Exploração Sexual vai apresentar projeto para regular alvarás para boates
A
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração
sexual de crianças e adolescentes deve apresentar, ao final dos
trabalhos, projeto de lei para regulamentar a concessão de alvarás de
bares, restaurantes e boates.
Ontem
(23), integrantes da comissão ouviram o depoimento do prefeito Erivando
Amaral, de Vitória do Xingu, no Pará, onde estão localizadas 90% das
obras da hidrelétrica de Belo Monte. Na região foi fechada uma boate por
exploração sexual de mulheres e adolescentes. Elas eram mantidas em
situação análoga à escravidão.
A
relatora da CPI, deputada Liliam Sá (PSD-RJ), considerou um absurdo, a
forma como os alvarás de funcionamento são concedidos. Nós já estamos
até com um projeto pronto para dar entrada, para fazer com que esses
alvarás-fantasmas não existam mais no País. Isso que aconteceu aqui hoje
é uma vergonha nacional. Um prefeito não dá um alvará, e não sabe o que
está acontecendo dentro do município dele, e a Polícia Civil está
emitindo alvarás com o selo, o carimbo do governo do estado.
Em
depoimento anterior à CPI, a conselheira tutelar Lucenilda Lima, de
Altamira, também no Pará, havia afirmado que o proprietário da boate
onde as mulheres e adolescentes eram mantidas em situação irregular
apresentou um alvará de funcionamento do estabelecimento e de outro que
já estava em construção.
O
prefeito Erivando Amaral negou que o município tenha fornecido o
documento. Eu tenho certeza que alvará não existe no município de
Vitória do Xingu para aquele estabelecimento. Esse prostíbulo,
construído em madeira, foi feito muito rápido, está próximo do canteiro
da obra de Belo Monte, e o município não teve conhecimento dessa
situação.”
Amaral
acrescentou que é favorável a uma acareação para esclarecer os fatos.
“Eu faço questão que aconteça essa acareação, porque não existe alvará,
nem de construção, nem ambiental, muito menos de funcionamento daquele
estabelecimento, que fica lá na vicinal, dentro de uma vicinal próxima
ao canteiro da obra de Belo Monte.
O
alvará da boate foi concedido pela Polícia Civil de Altamira. O
delegado Cristiano do Nascimento, superintendente regional do Xingu,
explicou que o dono da boate, Adão Rodrigues, pediu o alvará. “Como ele é
um cliente, chegou. É um tributo estadual, é de responsabilidade da
Polícia Civil, da Divisão de Polícia Administrativa, e foi concedido.
Após configurar que ele estava desvirtuando totalmente do propósito para
o qual foi concedido, esse alvará, que seria a boate, foi feito esse
fechamento. Já foi cassado esse alvará.
Delegado Cristiano do Nascimento: na região de Altamira, um estabelecimento pode começar a funcionar apenas com um dos alvarás.
O
delegado Cristiano do Nascimento explicou que, na região de Altamira,
um estabelecimento já pode começar a funcionar apenas com um dos
alvarás. No caso da boate na Usina de Belo Monte, bastou o documento
concedido pela Polícia Administrativa. A prefeitura teria de fornecer
alvarás de funcionamento, da vigilância sanitária e ambiental.
O
delegado informou que a Polícia Civil já está modificando a forma de
conceder o documento. Segundo ele, a recomendação é que o órgão só
forneça o alvarás depois que as prefeituras liberarem o funcionamento
dos estabelecimentos.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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