Governo resiste a multa menor para domésticas
O
governo se mostrou contrário à proposta de reduzir a multa do Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nas demissões de trabalhadores
domésticos sem justa causa, como sugerida pelo relator da regulamentação
da PEC das domésticas no Congresso Nacional, senador Romero Jucá
(PMDB-RR).
Embora
o parlamentar busque um acordo com o governo para apresentar dois
projetos de lei com a regulamentação - um de ordem prática e, outro, que
vai tratar de questões econômicas -, o governo avisou que não tem prazo
para apresentar uma resposta à sociedade sobre os pontos que ainda
estão indefinidos na Emenda Constitucional.
Segundo
o ministro do Trabalho, Manoel Dias, o porcentual pago pelos patrões
que demitirem seus empregados domésticos sem uma justificativa plausível
deve ser o mesmo adotado para os demais empregadores, ou seja, de 40%.
Segundo Dias, o posicionamento será apresentado em uma reunião interministerial na sexta-feira.
A
nossa proposta é de 40%, o que estende para trabalhadores domésticos os
mesmos direitos dos demais trabalhadores, destacou nesta terça-feira,
após se reunir com entidades do setor.
Jucá defende que a multa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para casos de demissão sem justa causa seja de 10%.
Os patrões que entrarem em acordo com seus empregados na hora de demiti-los teriam uma redução da multa e pagariam 5%.
Inflação. Para o senador, o posicionamento do ministro Manoel Dias é individual e não muda sua posição sobre a questão.
Até a Constituição de 88, a
multa era de 10%, mas nela essa questão entrou nas disposições
transitórias, que multiplicaram o valor por quatro e definiram que a
matéria deveria ser regulamentada posteriormente, afirmou o senador.
Ele
destacou, ainda, a importância, para as famílias brasileiras, de se
diminuir o porcentual. Vivíamos naquela época uma inflação elevada, 40%
era algo que valia parte da inflação de um ano; 40% hoje representam 5
anos de taxa Selic, ou quase 7 anos de caderneta de poupança,
argumentou.
Apesar
de o senador Romero Jucá argumentar que a diminuição da multa seria
benéfica para as empregadas domésticas, que teriam mais formalização, a
presidente da Federação Nacional das Empregadas Domésticas, Creuza Maria
de Oliveira, comemorou o direcionamento do governo.
Lutamos por direito iguais. Se a multa for de 39,99%, continua sendo desigualdade, disse Maria Creuza.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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