Contratação irregular de médicos em Antas motiva MP a ajuizar ações civis públicas contra o Município
O
Ministério Público estadual ajuizou esta semana duas ações civis
públicas relacionadas à contratação irregular de profissionais de saúde
pelo Município de Antas. A primeira, contra o Município, é uma ação
civil pública de obrigação de fazer para que seja realizado concurso
público para cargos de médico. Já a segunda trata-se de uma ação civil
pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito
Wanderlei dos Santos Santana e a secretária de Saúde, Roberta Félix
Castro Santos, em razão de efetivarem contratações irregulares.
Autora
das ações, a promotora de Justiça Ana Patrícia Vieira Chaves Melo,
explica que o Município de Antas realizou concurso público em 2009
oferecendo dez vagas para o cargo de médico clínico, com carga horária
semanal de 20 horas e salário de R$ 2.280,00, e 15 vagas para o cargo de
médico (PSF), com carga horária semanal de 40 horas e salário R$
3.800,000. Ao final do concurso público, apenas um médico foi aprovado.
“No entanto ao invés de o município realizar novo concurso, optou pela
contratação temporária de uma médica por inexigibilidade de licitação,
pelo valor global de R$ 125.550,00”,
afirmou a promotora de Justiça. Ela complementou que “ao contratar
ilegalmente a médica, o Município demonstrou que existe necessidade de
preencher cargos públicos, não sendo admissível que prossiga com
contratações temporárias para cargos cuja necessidade são de natureza
permanente”.
Outras
irregularidades constatadas pelo MP foram a ausência de atendimento
odontológico no PSF do povoado de Duas Serras, apesar de existir uma
sala equipada e odontólogo lotado para este posto; e o fato de não haver
médicos nos Postos de Saúde da Família nos povoados Frei Apolônio e
Rangel. “Pelas provas coligidas, restou incontroverso que, apesar de
haver odontólogo lotado até pouco tempo no PSF, nunca houve atendimento
no local, de modo que o prefeito e a secretária de Saúde concorreram
para que um terceiro se enriquecesse ilicitamente”, ressaltou Ana
Patrícia Melo. Nas ações, a promotora de Justiça requer que o Município
realize concurso público para o provimento dos cargos efetivos de 10
vagas para o cargo de médico clínico e de 14 vagas para o cargo de
médico (PSF), além dos que estejam sendo ocupados de forma irregular,
com salários equivalentes aos pagos atualmente aos médicos contratados.
Requer também a realização de concurso público para o cargo de dentista
para o PSF II, na localidade de Duas Serras, e a condenação do Município
na obrigação de não renovar os contratos administrativos, “bem como de
não mais efetuar a contratação de servidores por tempo determinado sem a
prévia aprovação em concurso público, salvo as hipóteses de
preenchimento dos cargos públicos previstos em lei tais como de direção,
chefia e assessoramento e de necessidade temporária ou de excepcional
interesse público”. O objetivo das ações é promover o acompanhamento e
execução do programa ‘O Ministério Público e os Objetivos do Milênio:
Saúde e Educação de Qualidade para todos’, que visa efetivar os direitos
de cidadania de crianças, adolescentes e enfermos, contribuindo para a
prestação de serviços públicos de qualidade nas duas áreas.
Fonte: Ministério Público da Bahia
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