MPMA aciona prefeito por descumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos
Altas
A falta de um Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e o
depósito de resíduos em um lixão na Vila Rita Reis, trazendo graves
transtornos à comunidade do bairro, levou a 2ª Promotoria de Justiça de
Caxias a ingressar com uma Ação Civil Pública contra o Município de
Aldeias Altas, que é Termo Judiciário da Comarca.
No
final de janeiro, moradores da Vila Rita Reis buscaram o Ministério
Público requeendo providências a respeito do lixão existente no bairro,
mantido pela prefeitura, no qual são depositados os resíduos recolhidos
pelo Poder Público.
De
acordo com vistoria realizada por técnica da promotoria, o lixão está
localizado em área de preservação permanente, a cerca de 200 metros
de um curso dágua, sem tratamento adequado, sem licenciamento ambiental
e com situação de degradação social, já que crianças trabalham no
local, estando sujeitas a risco de contaminação.
A
Política Nacional de Resíduos Sólidos determina que o prazo para a
elaboração dos planos municipais venceu em 3 de agosto de 2012. O prazo
para que seja dada a disposição final ambientalmente adequada aos
rejeitos (lixo que não pode mais ser reutilizado ou reciclado) termina
em 3 de agosto de 2014.
Diante
da gravidade da situação, o promotor de justiça Cláudio Rebêlo Correia
Alencar propôs um Termo de Ajustamento de Conduta ao Município de
Aldeias Altas. Em resposta, a chefia de gabinete da Prefeitura informou
que a cidade já possui um Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos,
encaminhando-o à promotoria.
De
uma simples leitura do mencionado documento se verifica que se trata
apenas de um arremedo de plano, com informações e conteúdos genéricos do
constante na Lei Federal 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos
Sólidos), sem informações concretas do Município de Aldeias Altas, sem
dados referentes aos seus principais produtores de resíduos, dos seus
passivos (tal como o lixão da Vila Rita Reis), a indicação de qual será a
disposição final ambientalmente adequada adotada na cidade, bem como as
medidas para estimular a sociedade local a não gerar, reduzir, reciclar
seus resíduos sólidos, aponta, na ação, o promotor Cláudio Alencar.
Além disso, não há nenhum ato normativo (lei ou ato administrativo) que valide o suposto plano.
Outras
tentativas de resolução do problema foram feitas, com o envio de
diversos ofícios à prefeitura. As comunicações, no entanto, sequer foram
respondidas pela administração que tem como gestor o prefeito José
Benedito da Silva Tinoco.
Na
ação, o promotor reforça que, apesar de ainda não estar vencido o prazo
para que seja dada a destinação adequada aos resíduos, a situação do
lixão da Vila Rita Reis é grave, demanda ações urgentes que diminuam os
danos ambientais e sociais. A partir de 3 de agosto de 2014, o lixão
deverá passar a ser tratado e ter a área degradada recuperada.
Como
medida Liminar, o Ministério Público pede que a Justiça determine a
adoção de uma série de medidas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
Entre as ações estão a delimitação e colocação de cerca no atual lixão,
com pelo menos três metros de altura; controle de acesso ao local, com
vigilância contínua; eliminação da queima a céu aberto de resíduos;
implantação de sistemas de coleta e drenagem de águas pluviais, chorume
(líquido resultante da decomposição de resíduos) e gases resultantes da
decomposição da matéria orgânica; e proibição de recebimento resíduos
que não sejam domiciliares e públicos ou de lixo de outros municípios.
O Município de Aldeias Altas também deverá elaborar um projeto de encerramento do lixão da Vila Rita Reis em até 90 dias.
Fonte: Ministério Público do Maranhão
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