Em retaliação ao mensalão, PT quer processar Barbosa por crime de responsabilidade
O
PT estuda pedir ao Senado para entrar com representação contra o
presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, por crime
de responsabilidade. Os petistas avaliam que Barbosa feriu a
Constituição ao permitir que parte dos réus do mensalão começasse a
cumprir as penas em regime fechado, mesmo condenados ao semiaberto
--como é o caso de José Dirceu e José Genoino.
O
partido também tem outro dois argumentos contra Barbosa: o fato de os
réus não estarem cumprindo as penas em seus domicílios e José Genoino
não estar recebendo tratamento médico adequado no Complexo Penitenciário
da Papuda, onde está detido desde sexta-feira (15).
Veja especial sobre o julgamento do mensalão
Dirceu, Genoino e Delúbio são transferidos ao semiaberto e dormirão na mesma cela
Líder do PT diz que família irá responsabilizar Barbosa pelo que acontecer a Genoino
Pela
Constituição, o Senado é a instituição que tem poderes para investigar
ações do Supremo em casos de crimes de responsabilidade. Se o processo
for aberto, ele pode resultar no impeachment de Barbosa, entre outras
sanções ao presidente do STF.
O
PT busca o apoio de partidos governistas para assinarem em conjunto um
pedido de informações ao Supremo --pontapé inicial para a abertura da
ação.
A
ideia da representação contra Barbosa foi apresentada durante reunião
da presidente Dilma Rousseff com líderes aliados, no Palácio do
Planalto, realizada nesta segunda-feira (18). Segundo relato de líderes
que participaram do encontro, Dilma desestimulou a eventual ação contra
Barbosa.
A
presidente disse aos líderes que não vai se manifestar publicamente
sobre o mensalão porque quer evitar uma crise institucional entre os
poderes. O vice-presidente, Michel Temer, reiterou que declarações
públicas de Dilma sobre o caso poderiam gerar uma crise entre Executivo e
Judiciário.
A
ação contra foi sugerida pelo líder do PT no Senado, Wellington Dias
(PI), que tem o apoio do partido. O líder disse que, depois do pedido de
informações a Barbosa, o próximo passo seria dar continuidade à
representação contra o presidente do STF. Para você abrir um processo de
julgamento, você precisa ter informações, disse.
Antes
de decidir sobre a representação contra Barbosa, porém, o PT deve
endossar requerimentos de advogados dos réus encaminhados ao Supremo. Se
os pedidos dos advogados não forem atendidos, aí o partido pretende
pedir ao Senado para pedir informações ao STF, com o apoio de siglas
aliadas.
Amanhã
vamos tratar com nossa bancada e com líderes aliados se apresentaremos
posicionamento próprio ou apoiaremos os requerimentos de advogados nessa
direção. O Supremo responde ao Senado pelos crimes de responsabilidade,
afirmou Dias.
Apesar
de estudar a ação contra Barbosa, o líder petista admite que o gesto
poderia desencadear um conflito entre Legislativo e Judiciário --por
isso precisa do aval de outros partidos governistas. Se assinado pela
maioria dos líderes da Casa, o presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), teria que encaminhar o pedido de informações à Corte.
O que queremos é uma solução. Para se cumprir a Constituição, é necessário o atendimento desses nossos pleitos, afirmou.
O PT também vai cobrar do STF isonomia no julgamento do chamado mensalão tucano, ocorrido em Minas Gerais
em 1998. O partido quer que o Supremo dê celeridade na análise do caso e
condene os réus --em sua maioria, políticos do PSDB, principal
adversário político do PT.
Por
que não foi feita denúncia sobre esse inquérito? Por que ele dorme nas
gavetas da Procuradoria Geral da República? O que queremos é que seja
respeitada a Constituição e seja feita Justiça, afirmou Dias.
Dilma
convocou os líderes de partidos aliados no Senado para discutir a
chamada pauta bomba de projetos que tramitam no Legislativo. Antes de
discutir as propostas que podem ampliar gastos do Executivo, os líderes
falaram por alguns minutos o mensalão depois que alguns senadores
criticaram a prisão de Dirceu e Genoino em regime fechado.
PAUTA BOMBA
No
encontro, segundo relatos de líderes, a presidente pediu que o
Congresso não aprove nenhum projeto que amplia os gastos públicos até as
eleições de 2014. O Palácio do Planalto está preocupado com propostas
como a que define piso salarial dos agentes comunitários de saúde, a PEC
300 (que aumenta salários de policiais) e a proposta que cria passe
livre para estudantes nos transportes públicos, entre outras.
O
núcleo político do governo deve tomar a decisão de não votar nenhuma
matéria que impacte gastos novos até as eleições, disse o líder do
governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).
Além
disso, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse aos senadores que o
governo federal não quer apoiar propostas que reduzam o superávit de
Estados e municípios --porque isso também contribuiu para encolher o
superávit do governo federal.
O
Planalto teme que, em ano pré-eleitoral, os congressistas aprovem
projetos populares que ampliam os gastos públicos de olho em seus
redutos eleitorais.
A
oposição tem tratado desse assunto, mas ele tem contado com anuência da
base aliada. Há vontade de se atender segmentos da sociedade num
momento em que isso traz visibilidade política, disse o senador Benedito
de Lira (PP-AL).
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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