Dilma turbina gasto social no Orçamento
Peça
do ano eleitoral prevê aumentos significativos para programas do
governo, além do reforço geral em áreas como Saúde e Educação
O
texto do projeto de lei orçamentária para 2014 que deve ser apreciado
nesta terça-feira pelo Congresso aponta que as áreas sociais são as
prioridades da presidente Dilma Rousseff para o seu último ano de
governo. Programas como Mais Médicos, Minha Casa Minha Vida e Bolsa
Família se destacam como destinatários de grande volume de recursos.
Criado
neste ano, o Mais Médicos, que prevê a importação de médicos
estrangeiros para áreas com poucos profissionais de saúde, tem um
aumento de 179,6% nas verbas. Passará de R$ 540 milhões para R$ 1,51
bilhão. Os recursos estão previstos na dotação para a saúde, que pulou
de R$ 90,5 bilhões neste ano para R$ 95,7 bilhões. Em porcentual, saltou
de 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para 8,4%. A saúde é uma das
áreas mais mal avaliadas do governo.
O
Mais Médicos é a principal aposta do PT para melhorar o desempenho do
ministro Alexandre Padilha (Saúde) na disputa para o governo de São
Paulo.
Ainda
está prevista a aplicação de R$ 82,3 bilhões nas despesas de manutenção
e desenvolvimento do ensino, cerca de R$ 25,4 bilhões acima do valor
mínimo exigido constitucionalmente (18% da receita de impostos e a cota
federal do salário-educação). Para o ano que vem os setores de Saúde e
Educação aparecem com a maior escala de investimentos dos últimos
tempos, pois são a prioridade, disse o deputado Miguel Correa (PT-MG),
que fez um relatório em comum acordo com o governo.
A
proposta que estabelece o Orçamento da União para 2014 deverá ser
votada hoje pela Comissão do Orçamento, para então ser enviada ao
plenário do Congresso, onde será apreciada. A previsão para 2014 é de um
orçamento de R$ 2,38 trilhões, contra R$ 2,276 trilhões em 2013, um
crescimento de 4,8%.
O
projeto de lei do Orçamento prevê também aumento significativo do
dinheiro para investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). Em 2013 foram R$ 51,75 bilhões. Para 2014, estão previstos R$
61,79 bilhões para obras em todos os setores. O projeto original do
governo enviado ao Congresso previa investimentos de R$ 63,28 bilhões no
PAC. Mas parlamentares fizeram emendas que foram acatadas pelos
relatores setoriais, o que reduziu o valor inicial em R$ 1,49 bilhão.
Mesmo assim, o montante a ser investido será superior a R$ 10 bilhões ao
que está no Orçamento deste ano.
O
Ministério das Cidades deverá receber a maior dotação, com R$ 21,66
bilhões. É nesta pasta que está abrigado o Minha Casa Minha Vida, tido
como xodó de Dilma e potencial puxador de votos. A pasta que aparece em
segundo lugar nas verbas do PAC é a dos Transportes (R$ 14,85 bilhões),
seguida de Educação (R$ 6,6 bilhões) e Integração Nacional (R$ 6,22
bilhões). O relatório final de Correa prevê ainda salário mínimo de R$
724 em 2014. O governo trabalhava com R$ 722,90.
O
Bolsa Família, iniciado em 2004 e apresentado pelo governo como um dos
mais bem-sucedidos projetos de distribuição de renda do mundo, deverá
ter em 2014 R$ 24,65 bilhões, ou 0,47% do PIB. É o maior porcentual da
história do programa, que começou com 0,29% do PIB. Em 2013,
correspondeu a 0,44% do PIB.
Correa
disse que procurou fazer um projeto de lei mais próximo da realidade do
País. Ao todo, houve uma reestimativa de arrecadação de R$ 21,9 bilhões
acima da que foi prevista pelo governo no projeto de lei do Orçamento
enviado ao Congresso.
Nesta
segunda-feira, Dilma deixou clara sua preferência pela área social na
reta final do governo. Ela incluiu na agenda a participação na 9.ª
Conferência Nacional de Assistência Social. Ao discursar, disse que
antes o setor não era prioridade de governo. O recurso para áreas
sociais costumava ser uma espécie de variável para o ajuste fiscal.
Vejam quanta diferença. Saímos de um patamar de R$ 10 bilhões, antes do
presidente Lula, e chegamos a um patamar de R$ 68 bilhões em recursos
para assistência social.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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