Ministério Público indicia três agentes penitenciários por crime de tortura
O
Ministério Público Estadual de Alagoas concluiu, na última
segunda-feira (20), o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) n°
001/12, instaurado em 31 de julho do ano passado, com o objetivo de
apurar denúncias de tortura contra o torcedor Al-Unser Ayslan Silva do
Nascimento, que teriam sido praticadas, supostamente, por policiais
civis e da Força Nacional e agentes penitenciários.
Após as
investigações do MPE, ficou constatado que as agressões foram cometidas
por três servidores da Intendência do Sistema Penitenciário, no período
em que a vítima ficou recolhida, provisoriamente, na Casa de Custódia da
capital. O caso será encaminhado agora para uma Promotoria de Justiça
Criminal da capital.
O
Procedimento foi comandado pelas promotoras Marluce Falcão, Karla
Padilha e Miryã Tavares Pinto Cardoso Ferro, após elas teriam sido
designadas, através da Portaria n° 865, de 12 de julho de 2012, para
constituir uma comissão especial com a missão de apurar o caso. Após
nove meses de investigação, onde foram ouvidos acusados e vítima, ficou
comprovado que o torcedor do clube América de Natal sofrera agressões
físicas por parte de agentes penitenciários.
Os
envolvidos são Rodrigo Pimentel Marcos, Gilson Mendonça da Silva e
Ednaldo Caetano da Silva, estes últimos, diretor e gerente de segurança
da Casa de Custódia, respectivamente. “Restou comprovado que a intenção
dos acusados era aplicar castigo pessoal à vítima Al-Unser Ayslan Silva
do Nascimento, com o fim de causar-lhe intenso sofrimento físico e
mental, agindo todos de forma consciente e voluntária, estando, por
conseguinte, incursos nas penas do artigo 1°, inciso II, c/c § 4°, da
Lei federal nº 9.455/97, devendo responder nos limites de suas
culpabilidades, nos termos do artigo n° 29 do Código Penal Brasileiro”,
diz trecho do relatório elaborado pelo MPE. Tal artigo da lei que define
o que é crime de tortura tem o seguinte trecho: “submeter alguém, sob
sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar
castigo pessoal ou medida de caráter preventivo”.
Acusados foram reconhecidos pelo torcedor
Após
ouvir Al-Unser Ayslan Silva do Nascimento, que foi preso em flagrante
delito, em Alagoas, após se envolver na confusão, no dia 07 de julho do
ano passado, que resultou na morte do torcedor alagoano Jonathas Daniel
dos Santos, as promotoras de Justiça identificaram cerca de 30
suspeitos, entre policiais civis, homens da Força Nacional e agentes
penitenciários, que pudessem ter praticado a tortura. De forma
paulatina, foram realizadas diversas sessões de reconhecimento, até que a
vítima identificasse quais foram as pessoas que a agrediram. Rodrigo,
Gilson e Ednaldo foram apontados por Ayslan como sendo seus agressores.
As
investigações da comissão também levaram em consideração o auto de
exame de corpo de delito (lesão corporal) que foi acostado aos autos,
realizado pela perícia do Instituto Médico Legal de Maceió, que
evidenciou a presença de lesão equimótica de cor verde amarelada na
região orbitária direita; lesão escoriativa medindo quatro por sete
centímetros, localizada entre a região supra escapular esquerda e a
nuca; lesão equimótica na região escapular esquerda e lesões
escoriativas medindo um centímetro cada, sendo uma na região hipotênar e
outra na face anterior da falange proximal do quatro quirodáctilo. Tais
detalhes constaram no laudo assinado pelo médico Gérson Odilon, após o
torcedor ter deixado a Casa de Custódia.
Em
depoimento prestado ao juiz Braga Neto, titular da Vara de Execuções
Penais, Ayslan revelou detalhes de como teriam sido as agressões:
“...que ao chegar no Cadeião, passou a ser torturado por um rapaz branco
e um moreno, que usavam capuz e óculos; que foi espancado por esses
dois agentes penitenciários; que foi uma verdadeira sessão de tortura,
com chutes nas partes baixas, costelas, murro no rosto; que para fazerem
essa tortura, mandaram tirar a roupa; que além dos dois que já
mencionou, teve um terceiro”, revela uma parte da fala da vítima. Esse
depoimento também serviu material para a investigação do MPE.
Os
policiais civis e da Força Nacional, que Ayslan teria dito que o
agrediram, ainda nas dependências da Delegacia de Homicídios de Maceió,
não foram indiciados pela comissão do Ministério Público, haja vista
que, parte que participou da ocorrência no dia do crime, não foi
reconhecida pelo torcedor e, a outra metade, foi inocentada por conta de
depoimentos contraditórios prestados pela vítima.
PIC será enviado à Promotoria Criminal da capital
Com
a conclusão do Procedimento Investigatório Criminal (PIC), o relatório
foi enviado ao procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, e ao Núcleo de
Inquéritos Policiais do Ministério Público Estadual de Alagoas, para que
assim, ele seja distribuído para um promotor titular da Promotoria
Criminal da capital.
Cópias
também foram remetidas ao juiz José Braga Neto e ao delegado Antônio
Nunes Cabral Júnior, presidente da Comissão instituída, no âmbito da
Polícia Civil, para apurar o mesmo fato.
Fonte: Ministério Público de Alagoas
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