MPMA ingressa com Ação Civil Pública por desvio de recursos da saúde
A
Promotoria de Justiça da Comarca de Vargem Grande ingressou, na última
quinta-feira, 16, com uma Ação Civil Pública por atos de improbidade
administrativa contra Miguel Rodrigues Fernandes, ex-prefeito do
município; Conceição de Maria Mesquita de Mesquita, ex-secretária
Municipal de Saúde; Shirlândia das Dores Marinho Sousa, atual secretária
Municipal de Saúde; e Rosivaldo Alves Santos, administrador da Clínica
de Terapia e Reabilitação – Clínica Conviver.
A
ação foi motivada pelo repasse de R$ 362.420,57 à Clínica Conviver,
recursos da Política Nacional de Atenção em Oftalmologia voltados para o
tratamento de pacientes com glaucoma. Ocorre que a clínica beneficiada
não atendia à especialidade médica oftalmologia e nem tinha estrutura
física no município de Vargem Grande.
De
acordo com o promotor de justiça Benedito de Jesus Nascimento Neto,
autor da ação, empresas privadas podem participar, de forma
complementar, do Sistema Único de Saúde (SUS), mediante contrato ou
convênio. Esse credenciamento deve obedecer os critérios da Lei de
Licitações (8666/93). A inexigibilidade do processo licitatório só será
aceito nos casos em que se configure a inviabilidade da competição,
situação que deve ser evidenciada e comprovada de modo inquestionável.
Não
há como se sustentar o argumento de inviabilidade de competição, pois
se verifica, na verdade, que houve o dispêndio direto de recursos
públicos em favor de uma entidade de direito privado e com fins
lucrativos, sem qualquer avaliação, prévia ou posterior, de sua
competência técnica e de sua compatibilidade com os padrões do Sistema
Único de Saúde para a prestação de serviço de saúde voltado para atender
a demanda de pacientes com glaucoma, explica, na ação, o promotor
Benedito Nascimento Neto.
Foi
verificado pelo Ministério Público que houve fraude na alimentação do
Sistema de Informação Ambulatorial (SIA/SUS), no qual foram informados
atendimentos oftalmológicos inexistentes, tanto durante a gestão de
Conceição Mesquita quanto na de Shirlândia Sousa à frente da Secretaria
Municipal de Saúde. Dessa forma, não houve a fiscalização da execução
dos serviços médicos e a Clínica Conviver foi remunerada por serviços
inexistentes.
PENALIDADES
Como
medida Liminar, o Ministério Público solicitou o envio de ofícios aos
cartórios de registros de imóveis de Vargem Grande, Presidente Vargas,
Nina Rodrigues, Itapecuru-Mirim e São Luís e ao Detran-MA para que
informem a existência de bens em nome dos réus e a determinação de sua
indisponibilidade.
Também
foi pedido o bloqueio de contas-correntes, poupanças, aplicações e
investimentos em nome dos réus nas instituições financeiras oficiais.
Ao
final do processo, caso sejam condenados por improbidade
administrativa, os envolvidos estarão sujeitos à suspensão dos direitos
políticos por oito anos, proibição de contratar ou receber qualquer
benefício do poder público, além de multas e ressarcimento dos danos
causados ao erário. Esses valores foram especificados pelo promotor na
ação. Ao ex-prefeito Miguel Rodrigues Fernandes foi pedida a condenação a
pagamento de multa de R$ 723.075,64 e ressarcimento de R$ 126.538,24,
equivalentes a 35% do dano causado ao Fundo Municipal de Saúde.
Para
a ex-secretária de Saúde Conceição de Maria Mesquita de Mesquita, os
valores são multa de R$ 361.537,82 e ressarcimento de 72.307,56 (20% do
dano). Já a secretária Shirlândia das Dores Marinho Sousa estará sujeita
ao pagamento de R$ 361.537,82 referentes à multa e ao ressarcimento de
10% do dano aos cofres públicos, o que corresponde a R$ 36.153,78. A
multa proposta ao administrador da Clínica de Terapia e Reabilitação –
Clínica Conviver é de R$ 361.537,82, além do ressarcimento de R$
126.538,24, o que equivale a 35% do dano ao Fundo Municipal de Saúde.
Fonte: Ministério Público do Maranhão
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