Relato do acontecido no sábado 28.07.2013 na área devastada pela Imobiliária Buriti/SISA
No sábado passado pela manhã, 27/07/13, um grupo de pessoas ligadas a vários movimentos sociais, entre os quais: membros do movimento Abraço do Juá, membros do Movimento de luta pela moradia, membros do grupo de jovens do bairro Alcione Barbalho, professores da UFOPA, membros do Movimento Tapajós Vivo e outros marcaram uma visita à área do entorno do lago do Juá para verificar os comentários da continuação de desastre ambiental já denunciados as autoridades.
Eram 9h30’ da manhã quando o grupo entrou na área por uma estrada pública ao lado de uma fábrica de reciclagem de plástico. Levavam máquinas fotográficas para registra o que viam no caminho. Muito lixo está sendo jogado ao lado da estrada.
Ao chegar mais próximo do lago do Juá, o grupo foi impedido de seguir a caminhada por um morador da área, vigia da família Correa. Foi tentado um diálogo explicando a finalidade da visita, mas o homem foi grosseiro e intransigente ameaçando dar tiros. Evitando violência o grupo decidiu retornar ao asfalto da rodovia Fernando Guilhon. Mal o grupo retornou cerca de 300 m foi barrados por um carro da polícia militar, o tático com soldados armados de metralhadoras e revólveres. Ao lado deles, três homens se identificaram como um advogado das empresas SISA e Buriti, um acompanhante e um representante da empresa Buriti.
O grupo de visitantes indagou por que estavam ali com metralhadoras armadas diante de cidadãos que visitavam a área, fazendo pesquisa. O chefe dos policiais, mal encarado, segurava sua metralhadora em frente aos membros do movimento social. Então o advogado disse que ninguém podia estar ali por ser uma propriedade privada. Outra pessoa questionou o advogado dizendo que ali era uma estrada pública e que estava a menos de 500 metros do rio, portanto era área de marinha e pública. Houve uma discussão cortês, mas sem recuo dos dois lados.
Os policiais do tático permaneceram de armas em punho, mas o grupo de visitantes não se intimidou. Chegou um cinegrafista que filmou a discussão. Indignados com a violência dos representantes da família Correa e da Buriti, o grupo de visitantes tirou mais fotos dos policiais e advogado, quando então, o representante da Buriti entrou dizendo que a empresa estava legal e que só não iniciaram as construções porque o dono da imobiliária não permitiu. Isto foi motivo de riso do grupo de visitantes, que sabem que a empresa está ilegal, sub judice e que o governador Jatene já garantiu ser desapropriada a área, e a família Correa e a Buriti pagarão penas pelos crimes ambientais causados na área.
Ao final da discussão o advogado pediu desculpas ao grupo pela presença armada deles, dizendo que pensavam que fosse um esbulho à propriedade e o grupo de visitantes se retirou para avaliar o caso e organizar a tomada de providencias.
O grupo de visitantes tirou algumas conclusões:
a) Uma nota à corregedoria e comando da Polícia militar em Santarém, pela presença armada de metralhadora do tático para enfrentar um grupo de pessoas desarmadas que não estavam cometendo nenhum crime. Querem saber se a equipe do tático foi lá na área por ordem do comando e por qual razão se justifica tal comportamento.
b) Uma nota pública de denúncia de violação pelo advogado e representante da Imobiliária Buriti de impedir o direito de ir e vir por uma estrada pública. Esta nota será enviada aos meios de comunicação.
c) Solicitar uma audiência pública à Câmara de Vereadores para debater a questão das áreas sendo tomadas por empresas imobiliárias em várias partes da área urbana da cidade e saber que providências os vereadores estão tomando sobre tais desmandos do poder público em permitir fatos consumados de desordem urbana.
Pelo grupo de visitantes subscrevem este relato: Margarete Sousa, Fabíola Lemos, Edilberto Sena, Valéria Bentes, Guilherme Santos e Florencio Vas
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