Associação de Jornais e jornalistas divergem sobre autorregulação da mídia
A
polêmica regulação da mídia no Brasil dominou o debate sobre liberdade
de imprensa em audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia,
Comunicação e Informática, nesta terça-feira (28).
De
um lado, representantes dos proprietários dos meios de comunicação
acusaram a proposta de um novo marco regulatório para o setor como uma
tentativa de censura estatal aos veículos.
Em
vez da regulamentação do Estado, o diretor-executivo da Associação
Nacional de Jornais, Ricardo Pedreira, defende a autorregulação da
mídia. Não há quem possa definir o que é melhor para uma pessoa ler e
assistir. Então, em relação aos veículos de comunicação, cabe a eles
definirem junto aos seus leitores e junto a suas audiências qual é a
melhor forma de se relacionar com eles no sentido de corrigir erros e de
prestar esclarecimentos. E, junto com isso, a livre concorrência é o
que vai elevar o nível de cada um dos veículos.
No
entanto, representantes dos jornalistas e de movimentos sociais
afirmaram que é preciso unificar e atualizar as atuais regras para o
funcionamento do setor. O Código Brasileiro de Telecomunicações, por
exemplo, vigora desde 1962.
O
diretor da Federação Nacional dos Jornalistas, José Carlos Torves,
explicou que o principal objetivo do novo marco regulatório é combater a
formação de monopólios e oligopólios. Nunca se falou em regular
conteúdos. O que nós precisamos regular é o negócio das comunicações, é a
diversidade das comunicações, que hoje está concentrada em poucos
grupos econômicos. É isso o que nós estamos querendo: uma democratização
do setor de comunicações, com diversidade, com produção regional. Coisa
que não acontece.
Ameaças
Já o autor do requerimento para a realização da audiência pública,
deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), chamou a atenção para outras ameaças
à liberdade de imprensa. A agressão a jornalistas, a queda do Brasil
nos indicadores de liberdade de atuação dos profissionais da área de
imprensa e o cerceamento da divulgação de fatos por força de decisão
judicial alegando sigilo.
De
acordo com o último relatório anual do Comitê para a Proteção de
Jornalistas, o Brasil é o décimo País onde mais ocorrem mortes de
jornalistas, e os responsáveis não são punidos. O comitê levou em conta
os assassinatos entre 2003 e 2012. Até o mês passado, quatro jornalistas
morreram no País.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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