Governo sofre derrota no Senado e terá de buscar saída para manter luz mais barata
Com
apoio de quase todos os líderes, Renan se recusa a votar MP de forma
açodada; episódio mostra, de novo, fragilidades da articulação política
do Planalto
Novo
descompasso da articulação política e mais um embate com o PMDB, desta
vez tendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), como personagem
principal, coloca em risco a manutenção de uma promessa da presidente
Dilma Rousseff: a queda nas contas de luz.
Sem
sucesso, aliados do Planalto passaram o dia de ontem tentando assegurar
a votação, no Senado, de medidas provisórias que perderão a validade na
segunda-feira. Renan se recusou a ler a MP 605 (das tarifas de energia)
e a MP 601 (que concede desonerações ao setor produtivo) e submetê-las a
voto, alegando que a votação açodada de medidas provisórias subtrai do
Senado seu poder constitucional de revisor.
Por
volta das 23h40, Renan encerrou a sessão por falta de quórum. Ele
decidiu submeter à Comissão de Constituição e Justiça um pedido do líder
do PT, Wellington Dias (PI), para que as MPs entrem em votação. A
decisão, no entanto, é apenas protocolar e não haverá tempo hábil para
votar as medidas. Não vai dar tempo, sentenciou Renan, ontem à noite.
O
PT ficou isolado na tentativa de votar as medidas provisórias ontem.
Além do PMDB, partidos da base, como PSB, PR, PDT, PP e PTB não apoiaram
a votação imediata,
As
MPs todas são importantes, sem exceção. Mas não são mais importantes
que o Senado, que as instituições, que a democracia. O governo não pode
apequenar o Senado, afirmou Renan em plenário ontem, no calor da
discussão.
Ao
tomar consciência da resistência dos senadores, liderados por Renan
Calheiros, o Planalto acionou ministros e líderes para assegurar que
buscará alternativas para garantir as tarifas de energia permaneçam mais
baixas, como anunciado por Dilma em cadeia nacional de rádio e
televisão.
Entres
as possibilidades estão a elaboração de um projeto de lei, que seria
votado em regime de urgência, ou o acréscimo de uma emenda a outra
medida provisória que já tramita no Congresso. A Constituição veda
reedição de medida provisória sobre o mesmo tema de uma que já tenha
sido derrotada ou que tenha caducado.
Renan chamou de anomalia constitucional o rito de tramitação das medidas provisórias.
Sete
dias. O peemedebista alegou que havia se comprometido com as lideranças
da base aliada e com o Palácio do Planalto, no polêmico episódio da
votação da Medida Provisória dos Portos, há duas semanas, a só colocar
em votação os textos que chegassem ao Senado com um prazo de pelo menos
sete dias antes do vencimento. Como esse não era o caso da MP da tarifa
da energia, Renan deixou claro que não faria novo esforço político para
aprovar uma proposta de interesse do Planalto.
A
MP 605 permitia o uso de recursos da Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE) para compensar descontos concedidos a setores e
viabilizar a redução da conta de luz. De acordo com o presidente da
Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee),
Nelson Leite, com a perda de validade da MP poderá haver aumento
imediato da tarifa para o consumidor residencial e indústrias de 3,5%,
em média.
Às
19h30, quando a situação no Senado ainda era tensa, a ministra da Casa
Civil, Gleisi Hoffmann, fez um comunicado aos jornalistas e lamentou a
não votação das medidas. O governo lamenta muito a não colocação em
votação de duas medidas provisórias importantes para a população
brasileira.. Antes do comunicado, a ministra se reuniu por diversas
vezes ao longo do dia com a presidente.
A
população não precisa se preocupar, assegurou Gleisi. A ministra não
deu detalhes de como o governo vai agir para manter a queda das tarifas.
O anúncio da redução da tarifa de energia foi feito por Dilma no dia 23
de janeiro. Foi apontado nos bastidores como um sinal claro de que a
presidente já entrava em campanha pela reeleição.
O
governo deve assegurar a redução da conta de luz com repasses do
Tesouro para a Conta de Desenvolvimento Energético, que vai custear o
corte na conta de luz. Terá ainda que fazer um malabarismo fiscal para
manter desonerações.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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