Sistema prisional: representantes de governos de MS e PB são contra progressão de regime por falta de instalações
Primeiro
a fazer sua exposição nesta terça-feira, na audiência pública sobre
regime prisional, promovida pelo Supremo Tribunal Federal, o
diretor-presidente da Agência Penitenciária de Mato Grosso do Sul
(Agepen), Deusdete Souza de Oliveira Filho, apresentou um perfil da
população carcerária em seu estado e a estrutura existente para
acomodá-la. A Agepen faz parte da Secretaria estadual de Justiça e
Segurança Pública e, segundo seu diretor, é preocupante que o STF venha a
tomar uma decisão vinculante no julgamento do recurso extraordinário
pelo qual se discute o cumprimento de pena em regime menos gravoso, “em
razão do perfil e das variáveis do sistema”, afirmou.
Perfil
A
população carcerária estadual está em torno de 15 mil presos, a maioria
do sexo masculino, jovem - com idade entre 18 e 25 anos - envolvida com
o tráfico de drogas ou usuário que lá está por crimes cometidos contra o
patrimônio (roubo, furto, latrocínio, receptação, extorsão etc). A
maioria também tem pouca instrução e não chega a concluir o ensino
médio. Com relação à presença feminina nos presídios, o diretor da
Agepen informou que 98% das mulheres encarceradas têm envolvimento com o
tráfico de drogas, atuando como “mulas” e que 65% delas são primárias,
ou seja, não tinham antecedentes criminais.
Segundo
Deusdete Oliveira, esse perfil reflete diretamente a localização
geográfica de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Bolívia, e
Paraguai, através das cidades de Corumbá e Ponta-Porã, respectivamente. Essa
localização também contribui para o índice de presos federais, ao todo
800 no estado, e que aguardam definição sobre suas situações prisionais.
A
estrutura prisional no estado ainda tem um déficit em torno de 5 mil
vagas. Atualmente, segundo o diretor da Agepen, são 45 unidades de
internação, das quais 25 voltadas para o regime prisional fechado, 17
para o semiaberto e três para o regime aberto, sendo que uma delas
(albergue) está final de construção.
Ações
O
estado tem procurado tratar os presos que assumiram ter problemas com
dependência química e proporcionar medidas que possibilitem a
ressocialização dessas pessoas com cursos profissionalizantes associados
ao cumprimento da pena. Na
avaliação de Deusdete Oliveira, “é preciso estruturar o regime
semiaberto, antes de se falar em progressão de regime, uma vez que nem
todo preso pode permanecer no mesmo ambiente e meio de vida que tinha”.
Por isso, segundo ele, é que a Coordenadoria das Varas de Execuções
Penais, ligadas ao Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
analisa as vagas de todos os regimes prisionais e verifica o perfil do
preso, antes de discutir a aplicação de regime menos gravoso.
Para
o diretor da Agepen, há iniciativas que funcionam e podem acolher os
presidiários dentro do que estabelece a lei. Como exemplo ele apresentou
um vídeo sobre o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, localizado
na cidade de Campo Grande, onde estão 600 internos (40% a menos que a
capacidade), que estudam, trabalham recebem assistência à saúde, ajuda
para quem precisa se livrar da dependência química, além de trabalho
industrial ou no campo remunerado, por meio de parceria do governo com o
setor privado.
Paraíba
O
coordenador da Secretaria Penitenciária da Paraíba, Francisco Ronaldo
Euflausino dos Santos, elogiou a iniciativa da audiência pública e as
informações prestadas pelos participantes durante os dois dias debates.
Breve em sua explanação, o coordenador jurídico da Secretaria de
Administração Penitenciária do estado se posicionou totalmente contra a
possibilidade de progressão de regime por falta de instalações adequadas
para os presos cumprirem suas penas.
Ele
afirmou que se a lei estabelece que os presos tenham locais adequados
para o cumprimento das penas, o Estado tem que cumprir a lei e construir
tais locais. “Se há carência de presídios, então o poder público tem
que fazer a sua parte, afirmou”.
Ronaldo
Euflausino defendeu o uso das tornozeleiras para os detentos dos
regimes semiaberto e aberto e disse que na Paraíba a medida vem sendo
adotada experimentalmente e com bons resultados pela Vara de Execuções Criminais.
O
representante do governo paraibano também criticou os altos custos que
os governos federal e estadual vêm tendo com obras que deverão ter um
uso restrito, como estádios de futebol, em detrimento de outras
necessidades. “O poder público precisa fazer sua parte, é preciso fazer a
reflexão de se gastar em algo que vai durar, é preciso debater a
construção de presídios. Se não, nós vamos viver um caos”, concluiu.
Fonte: Supremo Tribunal Federal
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