Promessa de Renan ameaça medida provisória que reduz conta de luz
O
senador Renan Calheiros (PMDB-AL) terá de decidir se colocará ou não em
votação a medida provisória que banca a redução das tarifas de energia
no país, vitrine da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Renan é aliado da petista, mas prometeu não votar MPs que chegam à Casa com menos de sete dias para análise.
A medida perde a validade na próxima segunda e ainda precisa da aprovação da Câmara antes de ir ao Senado.
O
presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), chegou abrir a
sessão para levar a votação adiante ontem à noite, mas deixou para hoje
cedo a tentativa de votar a matéria.
As
ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações
Institucionais) fizeram novos apelos aos líderes e orientaram a
estratégia de constranger a oposição indicando que ela será
responsabilizada por inviabilizar o desconto nas tarifas.
Mesmo
que os deputados aprovem a medida, ela já estará fora do prazo
anunciado por Renan -o que obrigaria o presidente do Senado, caso cumpra
sua promessa, a deixá-la perder a validade.
Alguns
deputados creem que, se a votação na Câmara for concluída até o início
da tarde de hoje, Renan poderá deixar de lado a promessa alegando que
chegou quase no prazo fixado e que a medida é relevante para o país.
COMPROMISSO
O
compromisso de Renan foi assumido depois da votação da MP dos Portos,
que entrou na pauta horas antes de perder a validade. Senadores
consideraram o rito um desrespeito à Casa e pressionaram o peemedebista.
Dilma fez o anúncio da redução de energia em cadeia nacional de rádio e TV em janeiro. A
eventual derrubada da MP levará o governo a ter de achar uma saída
legal para o Tesouro Nacional repassar recursos para a chamada Conta de
Desenvolvimento Energético (CDE), custeando assim o corte na conta de
luz.
Nos
bastidores, o Planalto já articula reinserir o mecanismo em outra
medida provisória. A ordem é escolher uma MP em condições de apreciação
imediata, o que evitaria vácuo na legislação.
Outra possibilidade é o governo encaminhar outro projeto de lei ao Congresso, em regime de urgência.
Congressistas
tentarão votar outra medida provisória que perde a validade no dia 3: a
que inclui no programa de desonerações 16 setores da economia, entre
eles construção civil, comércio varejista e empresas jornalísticas.
Se
ela não for votada, o governo pode adotar a mesma solução em análise
para a MP da conta de luz: inserir a desoneração desses setores em outra
medida provisória.
Líderes
governistas relativizaram o prazo estipulado por Renan. O líder do PMDB
na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse que mobilizou a bancada nesta
semana e que não tem compromisso com a promessa de Renan: Isso não é
problema nosso. Não participei dessa deliberação.
No
dia em que fez o anúncio no Senado, Renan foi enfático ao dizer que
qualquer medida provisória que venha com menos de sete dias da Câmara
dos Deputados não será pautada.
O regimento do Senado não estipula um prazo para a votação das medidas provisórias oriundas da Câmara.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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