Lista com 80 novos procedimentos obrigatórios para planos pode ficar ainda maior, diz ANS
Novas
inclusões podem ser feitas a partir das sugestões de beneficiários que
poderão ser enviadas à reguladora a partir do dia 7 de junho. Fenasaúde
disse considerar o processo de atualização importante, mas afirma que só
poderá avaliar o impacto das novas incorporações após a conclusão da
lista.
RIO
— A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou ontem que a
proposta de revisão dos procedimentos obrigatórios a serem cobertos
pelas operadoras de planos de saúde a partir de janeiro de 2014 prevê a
inclusão de 80 novas coberturas, incluindo procedimentos médicos e
odontológicos, medicamentos, terapias e exames, além da ampliação das
indicações de mais de 30 procedimentos já cobertos. A população poderá
enviar sugestões e críticas entre 7 de junho e 7 de julho, o que pode
aumentar o número de novos procedimentos a serem incorporados pelos
planos, diz a gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, Martha
Oliveira. O acesso à proposta e o envio de sugestões poderão ser feitos
por meio deste link.
—
Na última revisão, em 2011, recebemos 6,5 mil contribuições. Destas,
70% vieram de beneficiários. Todas as sugestões serão avaliadas pela
agência e podem ser incorporadas ao documento final, que será analisado
pelo colegiado da ANS. A lista de novos procedimentos pode ficar ainda
maior — explica Martha Oliveira, gerente-geral de Regulação Assistencial
da ANS.
Em
relação às novas coberturas propostas, destacam-se a inclusão de 36
medicamentos orais para tratamento de câncer; a introdução de uma nova
técnica de radioterapia e cerca de 30 cirurgias por vídeo, como
histerectomia (retirada do útero), nefrectomia (retirada do rim) e
cistectomia (retirada da bexiga), consultas com fisioterapeutas para
planejamento do tratamento e exames laboratoriais para diagnóstico e
acompanhamento de doenças autoimunes. Para os planos odontológicos,
estão incluídos procedimentos como enxertos periodontais.
Para
o oncologista Rafael Kaliks, diretor científico da ONG Oncoguia, era
uma questão de tempo até que o tratamento oral contra o câncer fosse
incorporado:
—
É uma conquista muito grande. A maioria dos tratamentos orais já são
padrão no mundo. Além disso, a ampliação da indicação de pet scan
beneficiará vários pacientes que têm câncer.
Segundo
a ANS, todas as contribuições recebidas serão analisadas. Em seguida,
será convocado novamente o grupo técnico que avaliará as contribuições
para então ser encaminhada a proposta final de Resolução Normativa.
Serão descritas as análises feitas para cada contribuição.
Joana
Cruz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o
rol apresenta mais exceções do que as dez previstas pela Lei dos Planos
de Saúde. Por isso, o Idec é contrário ao rol.
—
Entendemos que é uma regulamentação ilegal porque aumenta as dez
exceções que estão na lei e diminui a garantia de cobertura por
considerar que só o que está no rol é obrigatório. Isso contraria ainda o
Código de Defesa do Consumidor.
Em
nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), que reúne
31 operadoras de planos, disse considerar o processo de atualização
importante, mas afirma que só poderá avaliar o impacto das novas
incorporações após a conclusão da lista de procedimentos obrigatórios.
As principais propostas:
-
Inclusões: Nova técnica de radioterapia; medicamentos orais para
câncer; cerca de 30 cirurgias por vídeo, como para retirada de útero,
rim e bexiga; terapia imunobiológica subcutânea para artrite reumatoide;
radioablação para retirada de tumores hepáticos; exames de laboratório
para diagnóstico e doenças autoimunes; consultas com fisioterapeutas
para planejar o tratamento.
-
Ampliação: pet scan, que passa de três indicações (tumor pulmonar para
células não pequenas, linfoma e câncer colorretal) a oito (incluindo
nódulo pulmonar solitário, câncer de mama metastático, de cabeça e
pescoço, de esôfago e melanoma); aumento do total de consultas com
nutricionista para casos de obesidade e sobrepeso, ampliação de
indicação para consulta com psicólogo e fisioterapeuta.
Fonte: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
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