CNJ pode recomendar desativação de cadeia pública em Manaus
O
supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema
Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF), do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conselheiro Guilherme Calmon, disse
ontem (17/9) que o CNJ pode recomendar a desativação de cadeia pública
em Manaus/AM. A primeira vistoria foi na cadeia pública Raimundo Vidal
Pessoa, no centro da capital. O conselheiro participou da cerimônia de
abertura do Mutirão Carcerário do Amazonas, no plenário Ruy Araújo, na
sede do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM).
“Após
o mutirão iremos emitir um relatório com as providências a serem
tomadas pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo do estado. Para as
unidades sem nenhuma condição de funcionamento, recomendaremos a
desativação imediata ou dentro de prazo razoável, para que possa se
adequar no que exige a legislação”, disse Calmon, referindo-se à
situação da cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa, que tem mais de cem
anos. A unidade prisional tem capacidade máxima para 300 presos e hoje
abriga cerca de 1.100 detentos.
O
presidente do TJAM, desembargador Ari Jorge Moutinho da Costa,
demonstrou preocupação com a maneira pela qual os presos estão pagando,
no Amazonas, pelos crimes cometidos. “Eles estão cumprindo pena, mas ela
não pode ultrapassar a dignidade humana, e nós vamos trabalhar em cima
disso, colocando em liberdade quem merece e mudando de regime quem já
atingiu o direito à progressão. Essa situação não pode continuar como
está, e o mutirão vem colaborar nesse sentido”, afirmou.
A
cerimônia foi presidida pelo desembargador Ari Jorge Moutinho da Costa e
contou com a presença de várias autoridades, como o presidente do Grupo
de Monitoramento Carcerário do Amazonas, desembargador Sabino da Silva
Marques; o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Amazonas, Wesley
Aguiar; e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Amazonas,
Epitácio Almeira, e demais desembargadores e juízes do TJAM.
Mutirão
No
total, 60 pessoas integram o Mutirão Carcerário, entre representantes
do CNJ, do TJAM, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM), da
Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SEJUS) e do Ministério Público
Estadual.
“O
governo do estado vê com otimismo o Mutirão Carcerário, e aproveito a
oportunidade para anunciar a construção de dois novos presídios: um em
janeiro de 2014 e outro no segundo semestre do mesmo ano. Essas são
iniciativas que também vão ajudar a amenizar esse déficit carcerário que
o Amazonas possui”, destacou o secretário de Justiça e Direitos Humanos
do Amazonas, Wesley Aguiar.
O
Mutirão Carcerário deve trabalhar pelos próximos 30 dias, analisando
cerca de 8 mil processos da capital e de alguns municípios do interior
do estado. Além de reuniões com os juízes criminais, haverá visitas
sistemáticas nas unidades prisionais.
Fonte: Conselho Nacional de Justiça
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