MP vai questionar Prefeitura sobre subsídio de ônibus por meio do aumento do IPTU
O
Ministério Público de São Paulo quer saber o montante que a Prefeitura
de São Paulo irá aplicar para subsidiar a tarifa de ônibus na capital,
após o aumento de 24% anunciado para o próximo ano no Imposto Predial e
Territorial Urbano (IPTU), para manter a passagem a R$3,00. O ofício
deverá ser encaminhado ainda esta semana pela Promotoria de Habitação e
Urbanismo.
Após
os protestos de rua em junho, tanto o Governo do Estado, quanto a
Prefeitura revogaram o aumento de R$ 0,20 que estavam previstos para
vigorar nos ônibus, Metrô e trens, mantendo a tarifa em R$ 3.
A
revelação foi feita pelo Promotor de Justiça, Mauricio Antônio Ribeiro
Lopes, após os primeiros debates do “Fórum Mobilidade Urbana: Tarifa e
Financiamento, Alternativas para a Região Metropolitana de São Paulo”. O
evento continua amanhã com a presença de representantes do poder
público, SPTrans, Metrô e CPTM, sociedade civil e especialistas.
“Informações
da Prefeitura dão conta de que a arrecadação vai passar de R$ 37
bilhões para R$ 50 bilhões em 2014. Na maior parte, vindo do reajuste do
IPTU. Quero saber a real dimensão do que será investido no valor da
tarifa. Queremos saber de onde essa verba estará vindo e onde estará
sendo aplicada”, afirmou o Promotor. O consultor de tráfego e transporte
Sérgio Ejzenberg disse ser necessário uma consultoria de alto nível
pelo poder concedente. São planilhas de ônibus e não uma ida para a Lua.
Existem milhões de dados das planilhas nos sites dos governos para não
se entender nada. Para navegar por meio deles é preciso semanas, meses
de trabalho. Assim não adianta falar de transparência”.
Mauricio
Antônio Ribeiro Lopes afirmou que o Ministério Público defende a
municipalização da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
(Cide), um imposto federal, sobre a gasolina para subsidiar o transporte
público. “Isso não pode ser transferido para o resto da sociedade por
meio do IPTU, uma vez que o problema de mobilidade não é gerado pelos
proprietários de imóvel, mas pelos proprietários de automóveis”
ponderou. “O correto, ao meu ver, é usar o transporte particular para
subsidiar o valor da passagem de ônibus”, disse.
Um
estudo apresentado pelo Centro de Crescimento Econômico do Instituto
Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, demonstrou
que, se houver aumento de R$ 0,50 por litro na gasolina, o subsídio para
ônibus na capital poderia subir para R$ 1,20. Caso a passagem de ônibus
fosse R$ 3, e desse valor fosse abatido totalmente o subsídio de R$
1,20, o preço da tarifa poderia baixar para R$ 1,80.
A
Promotoria de Habitação e Urbanismo já havia recebido planilhas e
documentos detalhando os custos das tarifas de ônibus, trens e Metrô,
além dos financiamentos realizados pela Prefeitura e pelo Governo do
Estado no transporte público. “Hoje tivemos a possibilidade de tentar
deixar mais claros esses dados pois queremos trazer confiança e
transparência para a sociedade”, disse Ribeiro Lopes.
O
Secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes disse que
a política de insumos para a composição dos preços públicos das tarifas
está equivocada, pois alguns componentes da tarifa não são observados e
ainda são deixados de lado, como a farra demagógica da gratuidade do
transporte para maiores de 60 anos. “Está na contramão da história, uma
vez que a expectativa de vida aumentou. A gratuidade deveria estar
atrelada com a questão econômica”, disse.
Maurício
Broinizi Pereira, Coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São
Paulo cobrou as autoridades presentes mais transparência e
exemplaridade no trato com o dinheiro público. Na abertura do debate, falou
da importância do investimento no transporte público coletivo, mas fez
um alerta: Precisamos muito investir em transporte público para melhor o
serviço à sociedade, mas por que nossos representantes continuam tendo
automóveis pagos pelo dinheiro público, com seus respectivos motoristas,
combustível e manutenção? Já passou o momento de cobrarmos. Se estamos
buscando ampliar a arrecadação para fazer o investimento que a sociedade
necessita, precisamos cobrar austeridade e colocar um basta em
desperdício, mordomias e uso descabido do dinheiro público. Ele também
defende o Cide para subsidiar a tarifa.
A
Subprocuradora-Geral de Justiça Institucional, Vânia Maria Ruffini
Balera fez a abertura do evento representando o Procurador-Geral de
Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa. “O tema mobilidade urbana vêm sendo
discutido no Brasil inteiro. As ideias e sugestões apresentadas durante
o Fórum promovido pelo Ministério Público de São Paulo irão nortear e
ajudar o encaminhamento do inquérito instaurado em junho pela Promotoria
de Habitação e Urbanismo para tratar desse assunto”, afirmou ela.
O
evento organizado pelo Ministério Público e Escola Superior do
Ministério Público, contou com a presença do Secretário Estadual dos
Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes; do Secretário Adjunto
dos Transportes Metropolitanos, Peter Walker; do Assessor de Gabinete da
Secretaria de Transportes Metropolitanos Fausto Morey; do
Gerente de Controle Financeiro do Metrô, José Carlos Baptista do
Nascimento; do Diretor de Planejamento e Projetos, Silvestre Eduardo
Rocha Ribeiro; Maurício
Broinizi Pereira, Coordenador da Secretaria Executiva do Movimento Nossa
São Paulo; José Guilherme Rocha, diretor Financeiro do Metro,
representantes da Secretaria Municipal de Transportes e da SPTrans; o
consultor de trânsito e transportes e ex-diretor da Companhia de
Engenharia de Tráfego (CET), Sérgio Ejzenberg; o consultor de
transportes Horário Figueira.
Fonte: Ministério Público de São Paulo
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