MPMA solicita interdição imediata da delegacia do município
Mapa Vargem GrandeO titular da Promotoria de Justiça da Comarca de Vargem Grande (a 173 km
de São Luís), Benedito de Jesus Nascimento Neto, ajuizou, em 27 de
fevereiro, Ação Civil Pública, com pedido de liminar, contra o Estado do
Maranhão, requerendo a interdição imediata da delegacia de Polícia
Civil do município.
As
três celas da unidade prisional atualmente abrigam 32 presos, entre
provisórios e adolescentes, apesar de terem capacidade para somente 12
detentos. A delegacia funciona, ainda, como Polícia Judiciária, unidade
de detenção provisória e de cumprimento de pena para sentenciados,
vindos de três municípios e da Comarca de Itapecuru-Mirim.
Dos
presos da delegacia, doze cumprem pena em regime semiaberto, que
permanecem à noite em cela improvisada e separada das demais, sem
vigilância adequada. Todas as celas são insalubres e precárias, com
instalações improvisadas e sem ventilação adequada, em condições
subumanas, relata o representante do MPMA, na ação.
DESVIO DE FUNÇÃO
Como
o município de Vargem Grande não tem sistema de esgoto, os próprios
policiais improvisaram a construção de uma fossa séptica na parte
externa ao muro da delegacia, impossibilitando o trânsito no local. Além
disso, a fossa é localizada próximo à cozinha da delegacia,
comprometendo a preparação e a qualidade da alimentação fornecida aos
presos, afirma Nascimento Neto.
As
atividades da delegacia também sofrem com o reduzido contingente
policial, o que acarreta a precariedade da vigilância dos presos. Apenas
um investigador permanece de plantão, que também atua na condução de
presos ao Fórum, no atendimento médico e na entrega de intimações. Além
disso, o investigador é auxiliado por guardas municipais, que exercem a
função de carcereiros, sem preparo para a segurança da unidade policial.
Outro
problema é que a revista dos familiares dos presos em dia de visita é
prejudicada pela falta de policiais civis ou servidores públicos do sexo
feminino. Não há investimento em infraestrutura de pessoal ou material
capaz de atender aos presos e às finalidades da pena, em pleno
desrespeito à integridade moral dos detentos, provisórios e reeducandos,
finaliza.
PEDIDOS
Na
Ação, além da interdição da delegacia, o promotor requer a remoção
imediata da delegacia dos presos provisórios e condenados para unidades
adequadas, em prazos determinados pela Justiça, e a proibição,
igualmente imediata, de receber novos presos.
O representante do Ministério Público também solicita que seja estipulada multa por descumprimento em R$ 20 mil diários.
Outro
pedido é que, ao final do julgamento da ação, que o Estado do Maranhão
seja condenado à construção de nova unidade prisional no município.
Fonte: Ministério Público do Maranhão
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