Comissão de juristas quer arbitragem em relações de consumo e na administração pública
A
comissão de juristas que estuda mudanças na Lei de Arbitragem (Lei
9.307/1996) proporá a possibilidade de se recorrer à arbitragem nos
conflitos entre partes envolvidas em relações de consumo e nos contratos
da administração pública. Foi o que informou o presidente da comissão, o
ministro do Superior Tribunal de Justiça Luis Felipe Salomão, após
reunião nesta sexta-feira (24).
Criada
pelo Senado, a comissão tem o objetivo de fortalecer a arbitragem como
forma alternativa - e rápida - de solucionar litígios e, assim,
desafogar o Judiciário. A previsão é que o grupo apresente um
anteprojeto entre outubro e novembro deste ano.
Ao
explicar a inclusão de relações de consumo nas possibilidades de
arbitragem, Luis Felipe Salomão disse que os juristas pretendem
fortalecer não apenas essa modalidade, mas também o direito do
consumidor. A proposta é que os contratos tenham uma cláusula com a
possibilidade de arbitragem, que pode oferecer um método de resolução
mais célere do conflito. Mas o ministro ressaltou que tal recurso só
será utilizado se o consumidor quiser. Ficaria respeitada, assim, a
ideia de que o consumidor é hipossuficiente em relação ao fornecedor, ou
seja, é a parte mais fraca na relação de consumo.
-
Se o consumidor não desejar, ele não dispara o gatilho [da arbitragem].
Isso existe na maioria dos países da Europa - declarou Salomão.
O ministro frisou que a proposta não altera o Código de Defesa do Consumidor.
Administração pública
Além
das relações de consumo, a comissão também quer garantir a
possibilidade de arbitragem nos contratos da administração pública.
Questionado pela Agência Senado se tal possibilidade já não existe na
lei atual, Salomão respondeu que há controvérsias e a intenção da
comissão é que a nova lei ponha a questão em pratos limpos.
-
Várias leis relacionadas, por exemplo, a contratos nas áreas de
petróleo e gás e concessões de serviços públicos possuem disposições não
muito claras sobre a possibilidade de arbitragem - assinalou.
Usando
o exemplo da exploração de petróleo, o ministro citou a hipótese de um
contrato entre a Petrobras e uma empresa estrangeira. Ele argumenta que,
se ficar claro que a administração pública brasileira, direta e
indireta, permitir o recurso à arbitragem em caso de conflito entre as
partes, isso alavancará os investimentos, nacionais e estrangeiros no
país, porque é um meio de resolução muito mais rápido.
Outros
assuntos discutidos, mas para os quais ainda não houve uma decisão,
foram as arbitragens nas relações de trabalho e nos conflitos
societários (como os que envolvem, por exemplo, os acionistas
minoritários de grandes empresas).
Portas fechadas
A
reunião desta sexta-feira aconteceu a portas fechadas. No início da
sessão, os integrantes da comissão debateram se as discussões deveriam
ou não ser abertas ao público e aos jornalistas. Ellen Gracie, ministra
aposentada do Supremo Tribunal Federal, esteve entre os que argumentaram
pelo fechamento, enquanto o jurista José Rogério Tucci, por exemplo,
defendeu a abertura.
Ellen
afirmou que pode ser ruim a divulgação das opiniões dos membros da
comissão quando ainda não há nada decidido e as avaliações podem mudar
conforme as discussões. Ela ressaltou que o grupo ainda está em um
primeiro momento, numa fase dialética, na qual o pensamento do grupo
está se formando e os integrantes precisam de liberdade para a troca de
ideias.
- Já na segunda fase, de deliberações, interessará a abertura das sessões - acrescentou.
Também
defendeu o fechamento o jurista Carlos Alberto Carmona. Ele declarou
que é necessária uma tranquilidade maior, em vez de exibição,
publicidade, cortes de eventuais pedaços do que vamos dizer, com o fim
de integrar programas televisivos ou notícias de internet que, sempre,
inevitavelmente, serão distorcidos.
A próxima reunião da comissão está prevista para 28 de junho.
Fonte: Senado Federal
Comentários
Postar um comentário