Conselho pede responsabilização pelo desperdício de recursos federais para presídios
O
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pediu ao Ministério Público a
responsabilização das autoridades ligadas ao desperdício de recursos
federais destinados à construção ou reforma de unidades prisionais em 11
estados. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da
Justiça (Depen/MJ), 39 contratos foram cancelados ou encerrados desde
2011. O montante de recursos devolvidos ao órgão por falta de uso soma
R$ 103,384 milhões.
O
pedido foi enviado nesta última terça-feira (21/5) em ofícios aos
procuradores-gerais de Justiça dos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba,
Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe, Tocantins, Goiás, Rio
de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Também receberam
comunicação os representantes do Ministério Público Federal nesses
estados.
O
envio dos ofícios obedece à decisão aprovada pelo Plenário do CNJ no
último dia 14, durante a 169ª Sessão do Conselho. De acordo com o
acórdão do julgamento do Pedido de Providências
0000461-45.2013.2.00.0000, também foram informados da situação o
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Procurador-Geral da
República, Roberto Gurgel, e o próprio ministro da Justiça, José Eduardo
Cardozo.
O
conselheiro Jorge Hélio Chaves de Oliveira apresentou voto-vista ao
relator original do processo, o ex-conselheiro Tourinho Neto, em que
pede a responsabilização das autoridades de 11 governos estaduais que
deixaram de usar os recursos federais em presídios, apesar de o CNJ ter
verificado superlotação nos sistemas prisionais dessas unidades da
Federação.
“Diante
de um cenário tão calamitoso, é incompreensível que tais estados tenham
simplesmente abdicado dos recursos federais para melhoria das condições
de vida em seus presídios. Penso que, para efetivar a política proposta
pelo Depen, é preciso provocar as autoridades para apurar as
responsabilidades administrativas e penais pelo desperdício”, afirmou o
conselheiro.
Durante
o julgamento do processo, o presidente do CNJ, ministro Joaquim
Barbosa, mostrou-se espantado com os valores. “Cento e três milhões de
reais seguramente resolveriam os problemas de dois ou três estados.
Deixariam (o sistema prisional deles) em condições civilizadas, pelo
menos. Essa é a informação que obtive na viagem ao Rio Grande do Norte”,
disse o ministro, que conheceu parte do sistema prisional potiguar em
abril.
Simplificação
- O Plenário também aprovou o envio de um ofício do CNJ ao Conselho
Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) para que o órgão
reconsidere as exigências arquitetônicas que faz aos projetos
financiados pelo Ministério da Justiça. O objetivo é “facilitar a
elaboração de projetos voltados à construção/melhoria de
estabelecimentos prisionais”, de acordo com o acórdão do julgamento.
Fonte: Conselho Nacional de Justiça
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