Governo corre para aprovar pacote de medidas provisórias antes do feriado
Depois
da Medida Provisória dos Portos, o governo Dilma Rousseff terá de fazer
nos próximos dias um esforço para conseguir a aprovação de oito medidas
provisórias antes de elas perderem a validade. Às vésperas do feriado
de Corpus Christi, o maior empenho volta-se para a aprovação de duas
medidas com elevado apelo popular. O temor do Planalto é que, mesmo se
forem aprovadas na Câmara, não há garantia de que serão apreciadas a
tempo no Senado.
As
MPs perdem a validade na segunda-feira, dia 3. Desse pacote, quatro vão
caducar e duas devem ser votadas em tempo hábil no Senado, segundo
fontes. As duas restantes asseguram o corte na conta de luz, prometido
por Dilma, e beneficiam a construção civil e o varejo com corte de
impostos na folha de salários. Nos dois casos, ainda precisam passar por
Câmara e Senado. Líderes governistas correm contra o relógio para
salvá-las e os peemedebistas prometem, agora, que vão agir como aliados.
Com
o feriado abreviando a semana e comprometendo o quórum, as chances de
aprovação vão até quarta-feira. Para votá-las, os líderes governistas
terão de convencer a oposição e parte da base aliada. Mas há outra
rebelião: alguns partidos exigem que, antes, seja apreciado um projeto
que acaba com a multa adicional de 10% sobre o saldo do FGTS dos
demitidos por justa causa (leia abaixo).
Adiamento.
O Planalto opõe-se ao projeto, porque o fim da cobrança retiraria R$ 3
bilhões dos cofres da União. Por isso, acionou o presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para que tente adiar a análise da
proposta.
Só
analisamos as medidas provisórias se votarmos o fim da multa adicional
do FGTS, disse o líder da oposição, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). Se
ele adiar essa votação, vai mostrar que o Congresso não passa mesmo de
um puxadinho do Planalto, criticou. Também querem o fim da multa
adicional o PSB, o PSD, o PTB e o PSC. Se a apreciação da proposta for
adiada, a oposição vai obstruir as MPs, acrescentou Leitão.
Impacto.
Os dois focos de preocupação do governo na Câmara são MPs baixadas por
Dilma para estimular a economia e reduzir custos. A da conta de luz
permite a transferência de recursos de um fundo setorial para o
pagamento das usinas térmicas. Sem isso, seria praticamente anulado o
desconto na conta de luz. Ela é tão importante que o ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão, telefonou a aliados no fim de semana pedindo
empenho na aprovação.
Estamos
confiantes de que a Câmara votará a matéria. A caducidade da MP
prejudicará a população e o setor produtivo de importantes Estados,
disse ao Estado a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Vamos mobilizar a
base para votar na segunda (hoje) ou, no máximo, na terça-feira, doa a
quem doer, afirmou o líder do PT, José Guimarães (CE).
Se
aprovadas amanhã, as MPs chegam ao Senado menos de 24 horas antes do
feriado. Nesse contexto, colocam em xeque a promessa do presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que não analisaria MPs com menos
de sete dias de prazo. Esta será a última vez, disse o senador na
análise da MP dos Portos. Uma liderança da base aliada afirmou ao Estado
que Renan vai cumprir o acordo, o que na prática, fará caducar as MPs.
Antes
de votar as MPs mais caras ao Planalto, o Senado deverá analisar outras
que chegaram à Casa na semana passada. Uma delas reduz o Imposto de
Renda nas Participações de Lucros e Resultados. A outra, cria um fundo
para o Centro-Oeste e amplia o limite operacional da Caixa. Estas devem
ser votadas.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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