Sites ajudam o patrão a calcular direitos das domésticas
A promulgação da Emenda Constitucional n°
66/2012, a chamada PEC das Domésticas, fez com que muitos empregadores
percebessem a necessidade de recorrer à ajuda para calcular as
obrigações previstas agora na lei, que confere mais direitos ao
trabalhador do lar. A necessidade se transformou em oportunidade de
negócio para sites que oferecem soluções para facilitar a vida 'do
patrão'.
Pelo menos cinco sites oferecem atualmente
cálculo de salário, férias, 13º salário, bem como recolhimento de
tributos, além de modelos de contratos, termo de rescisão, modelos de
recibo e sistema de ponto. O objetivo é oferecer opções para que o
empregador prefira o serviço à contratação de um contador, por exemplo. O
argumento é que, ao automatizar o processo e permitir criar uma base
grande de assinantes, ele seja mais acessível financeiramente.
O Pagga Doméstico cobra 6% de comissão,
calculado sobre o valor de um boleto único, que pode ou não incluir
pagamento de salário, e abrange benefícios, como vale refeição e
transporte. No caso de um salário líquido de R$ 1.310, a taxa pode
chegar a R$ 78,60 por mês. Já o Webhome divulga em seu site uma promoção
em que o primeiro funcionário cadastrado é gratuito. Caso o empregador
contrate um novo funcionário ou tenha mais de um em casa, o valor é de
R$ 20 por mês.
Já o No Lar oferece pacotes anuais que custam
R$ 25,44 ou R$ 38,16. No Super Doméstica, o valor varia de R$ 18,90
(mensal) a R$ 189 (anual). No Doméstica Legal, o usuário paga de R$ 1,90
a R$ 24 mensais.
Para 'fisgar' novos usuários, a exemplo da
promoção do Webhome, os sites também permitem testes por 30 dias ou
cadastro gratuito.
Diferenciais
Para tentar se diferenciar da concorrência,
cada site procura divulgar serviços adicionais. O Pagga Domésticos, por
exemplo, não apenas realiza os cálculos necessários para manter um
empregado em casa, mas também faz efetivamente o pagamento na conta do
funcionário cadastrado, bem como outros benefícios, como vale-refeição e
transporte. Caso o empregado doméstico não tenha conta em banco, a
empresa tem parcerias com bandeiras de cartões, como a Alelo, e oferece
cartão pré-pago, nos quais são permitidos dois saques de forma
gratuita.
"Por enquanto o vale-transporte está
operando apenas na região metropolitana de São Paulo, mas será expandido
para todas no País", diz Armando Ribeiro, CEO do Pagga Domésticos.
O site emite um boleto único, com todos os
cálculos necessários para o pagamento, e também tem um controle de
ponto, que pode ser modificado ao longo do mês em caso de faltas e
realização de horas extras. O histórico de pagamentos fica disponível no
site.
Em um momento de adaptação à nova lei, a
consultoria de profissionais também é importante. Em geral os sites
oferecem atendimento tanto por telefone como online.
O Webhome, por exemplo, disponibiliza
consultoria jurídica. Porém, o sócio-diretor João Pedro Tonini aponta
que o objetivo foi deixar o site bem amigável, e não gerar dúvidas sobre
a lei. "Traduzimos a lei para leigos. A consultoria não é prioridade: o
importante é que ele consiga fazer tudo sem falar com ninguém", diz o
executivo. No futuro, o site também quer oferecer benefícios, como
vale-refeição.
O foco, diz Tonini, são clientes de alta renda,
que tenham mais de um empregado. "Temos um usuário que, em sua casa em
São Paulo e no litoral, tem oito funcionários. Hoje, ele paga R$ 400 a
um contador por mês. Com o site, ele passa a gasta R$ 170". Ele ressalta
que, para substituir a 'conversa' e 'longo relacionamento' com um
contador, o sistema precisa ser fácil de usar.
Cuidados
Nem bem entraram no ar, alguns sites já
acumulam reclamações. As mais comuns são falta de atendimento ao
cliente, mas existem usuários que apontam erros de cálculo e até
cobranças indevidas.
Além disso, todos os sistemas aguardam a
conclusão da regulamentação para realizarem adaptações. Portanto, é
necessário ter cautela, e paciência para obter todas as definições. O
ideal é testar os sistemas e canais de atendimento, e verificar se
existem possíveis erros. Em caso de problemas, o usuário deve denunciar a
empresa aos órgãos de defesa do consumidor.
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