Mineradoras manifestam preocupação com marco regulatório para terras raras
A
definição de um marco regulatório para exploração dos chamados
elementos terras raras - utilizados na indústria de alta tecnologia,
como a de tablets, telas LCD e veículos elétricos - tem sido
acompanhada com preocupação pelas empresas mineradoras, conforme
evidenciou Paulo de Tarso Fagundes, diretor da Mineradora Serra Verde.
Também
o representante da Vale S/A, Edson Ribeiro, disse temer que um
regramento específico para os minerais estratégicos venha a afastar
investidores e limitar o mercado. Os dois executivos participaram nesta
quinta-feira (23) de audiência pública da Subcomissão Temporária de
Elaboração de Projeto de Lei do Marco Regulatório da Mineração e da
Exploração de Terras-raras no Brasil, presidida pelo senador Anibal
Diniz (PT-AC).
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O momento é de muita preocupação para o nosso setor mineral, que está à
espera da definição do projeto do novo marco regulatório da mineração.
Existem muitas dúvidas e indagações sobre o que será exigido pela nova
lei - disse Fagundes.
Nesse
mesmo sentido, o representante da Vale disse considerar a criação de um
marco regulatório específico para os terras raras “uma medida
contraprodutiva”.
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Na verdade, vai trazer ainda mais incerteza para o setor produtivo. Já
não chega o mercado que não existe, não tenho certeza de preço e ainda
tenho uma lei restritiva e não sei se terei mercadoria para vender?
Incerteza regulatória afasta o investidor, isso não atrai o investidor -
frisou Edson Ribeiro.
Para
o relator da subcomissão, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), a
preocupação das empresas se deve a uma visão equivocada de que o novo
marco regulatório seria estatizante. Ao contrário, o senador ressaltou
que pretende caminhar no sentido de construir uma legislação que
incentive o crescimento do setor.
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Temos a visão de que, se o estado não puder ajudar a atividade
econômica, que ele não atrapalhe. Não queremos um marco regulatório que
atrapalhe o setor de mineração, como as normas legais atuais,
especificamente quanto a esse setor tão vital para o futuro do nosso
país - disse Luiz Henrique.
Para
o senador, o Brasil deve aproveitar a evolução da chamada indústria
“inteligente”, que se vale de matérias-primas mais resistentes, mais
leves e com maior eficiência energética, e investir para dominar a
tecnologia de produção de bens a partir de elementos de terras raras.
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Sabemos que a produção de imãs de terras raras, imãs permanentes, terá
aplicação copiosa em produtos eletroeletrônicos. Desde os automóveis
híbridos, o futuro automóvel elétrico, as torres de geração de energia
eólica e até mesmo um simples aspirador de pó será mais eficiente se for
feito com a introdução de imãs de terras raras.
Mercado
A
procura por esses elementos estratégicos aumentou devido à valorização
da chamada “indústria verde”, produtora de equipamentos de menor consumo
energético e de componentes para geração de energia limpa, como as
turbinas dos parques eólicos. Também foi resultado da disseminação de
produtos de alta tecnologia, como smartphones, e de grande valor
agregado, como supercondutores e componentes para a aviação.
Essas
são características dos 17 elementos químicos chamados de terras raras,
que passaram a ser disputados no mercado mundial. Para Luiz Henrique, é
urgente que o país avance nesse setor, para não ficar refém da China,
que controla 87% da produção e tem reduzido a oferta mundial, para
atender à demanda de suas próprias indústrias.
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Temos que ter uma política de conhecimento, de domínio e capacitação
tecnológica. E é isso que queremos com o marco regulatório para o setor.
Radioatividade
Também
presente ao debate, Alair Veras, das Indústrias Nucleares do Brasil,
alertou para cuidados que o país deverá ter se avançar na exploração dos
elementos terras raras. Ele explicou que um dos principais minérios que
contém esses elementos, a monazita, também contém urânio e tório, que
são radioativos. Conforme frisou, na fase inicial da extração, a
monazita está em baixa concentração, misturada a outros minérios, não
representando preocupação quanto ao nível de radioatividade.
Já
com o avanço do processo de mineração, quando ocorre a separação dos
elementos, ele diz serem necessários licenciamentos específicos e alerta
para a necessidade de um plano para transporte e manuseio do material.
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Nem todo minério de monazita contém urânio e tório, mas a maioria tem.
Os que a gente conhece aqui no Brasil contêm bastante urânio e tório.
Alguns países abandonaram [a exploração de monazita] porque a
radioatividade é difícil de ser manuseada pelo empresário privado -
contou.
A
subcomissão promoverá outra audiência pública no dia 6 de junho, quando
pretende ouvir, entre outros convidados, especialistas do Instituto
Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia
(Coppe/UFRJ) e do Serviço Geológico do Brasil.
Fonte: Senado Federal
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