Ministério fará pesquisa para subsidiar políticas sobre efeito estufa
Para
subsidiar com pesquisas as ações para redução dos gases do efeito
estufa, o governo lançou um projeto que será executado pelo Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação. Um dos objetivos é apontar quanto
cada setor da economia pode reduzir de suas emissões - e a que custo.
O
projeto, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), foi apresentado nesta quinta-feira (23) em audiência
pública promovida pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças
Climáticas e pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e
Fiscalização e Controle do Senado.
O
coordenador-geral de Mudanças Globais de Clima do ministério, Gustavo
Luedemann, disse que o projeto (intitulado Opções de Mitigação de Gases
de Efeito Estufa em Setores-Chaves da Economia Brasileira) terá
financiamento do Global Environment Facility (4,18 milhões de dólares) e
do Pnuma (102,4 mil dólares). Já o governo federal participará com
contrapartidas estimadas em 11,89 milhões de dólares - essas
contrapartidas não implicam injeção de recursos, mas oferta de
infraestrutura, estudos, pagamento dos salários dos pesquisadores
envolvidos e outras atividades.
Ao
explicar a importância do projeto, o professor e pesquisador Roberto
Schaeffer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que
os estudos vão oferecer números mais rigorosos para fundamentar as
políticas públicas do governo. “O projeto visa mostrar em que setores da
economia é possível reduzir as emissões, o quanto cada setor pode
reduzir e quanto isso deve custar”, explicou, acrescentando que a
solução para o setor têxtil, por exemplo, é diferente da solução para o
setor de alumínio.
Metas voluntárias
Schaeffer
ressaltou que o Brasil, ao participar da Convenção do Clima de
Copenhague, em 2009, assumiu metas voluntárias de redução das emissões
sem contar com estudos detalhados sobre as respectivas dificuldades e
custos - informações que deverão ser produzidas agora, com o projeto.
As
metas prometidas pelo governo em Copenhague foram de redução entre
36,1% e 38,9% até 2020 em relação ao que aconteceria se nada fosse
feito. “Os estudos poderão dizer se as metas foram muito ambiciosas, o
que não acho provável, ou se foram pouco ambiciosas”, disse.
Schaeffer
informou ainda que o projeto tem duração prevista de três anos e
conterá projeções que se estendem até 2050. Grupos de diversas
universidades do País participam do projeto, incluindo o Instituto
Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe),
da UFRJ, da qual ele faz parte.
Maior envolvimento
Ao
afirmar que para implementar projetos como esse é necessário o
envolvimento do governo federal como um todo, e não apenas dos
Ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, o deputado
Alfredo Sirkis (PV-RJ) lamentou que boa parte dos ministérios que de
fato influenciam a máquina econômica, e que interagem mais com os
setores da iniciativa privada emissores de gases, estejam completamente
distantes das discussões sobre mudanças climáticas.
Sirkis
reconheceu, no entanto, a crescente participação do Ministério da
Fazenda nesses debates. Por outro lado, o deputado apontou a ausência de
integrantes da pasta de Minas e Energia (segundo ele, uma das mais
recalcitrantes), da Agricultura e da Indústria e Comércio.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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