Comissão defende mudanças no estatuto do portador de deficiência
A
Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia
Legislativa do Rio (Alerj) elaborará um documento, em conjunto com a
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e a Defensoria Pública do estado,
contendo sugestões e posicionamentos das entidades de pessoas com
deficiência do Estado do Rio de Janeiro em relação ao Estatuto que trata
do tema, em tramitação no Congresso Nacional.
As informações para a
elaboração do documento foram colhidas em audiência pública realizada
nesta segunda-feira (23/09). Chegamos a algumas conclusões, como a de
sermos contra a aprovação do Estatuto como um todo, especialmente como
está hoje, afirmou o presidente do colegiado, deputado Márcio Pacheco
(PSC). O relatório será entregue à deputada federal Mara Gabrilli
(PSDB-SP), relatora do Estatuto.
Além
do posicionamento contrário à aprovação e criação de um Estatuto para
as pessoas com deficiência, Márcio Pacheco listou outras sugestões
feitas: a criação de uma lei que regulamente o cumprimento da Convenção
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; a
apresentação de emendas supressivas ao projeto do Estatuto, excluindo os
artigos 54 e 122, que tratam do mercado de trabalho inclusivo; a defesa
da manutenção das instituições de educação especial; e a alteração
redacional do capítulo que trata do transporte desses cidadãos, mantendo
direitos garantidos em legislações anteriores. A aprovação do texto com
o artigo 122 representa um risco de que mais de 2 mil deficientes
percam seus empregos, apenas no nosso estado, alertou Márcio Pacheco.
Superintendente
do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD),
Teresa dAmaral revelou que o grupo sempre se colocou contrário à criação
do Estatuto. Precisamos que as leis que já existem sejam cumpridas,
afirmou, lembrando que a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da
Pessoa com Deficiência não participou da elaboração do Estatuto, que
ficou a cargo da Secretaria de Direitos Humanos. A professora Edicléa
Mascarenhas, do grupo Pestalozzi, também fez críticas ao texto que
tramita no Congresso, chamando atenção para a área da educação, que
considera preocupante. Do jeito que está, crianças perderão direitos.
Inclusão não é jogar todo mundo na mesma sala. Existem crianças que
podem ser incluídas em turmas regulares, mas existem outras que precisam
de um tratamento especializado, analisou.
O
deficiente visual e procurador do Banco Central Cláudio Rodrigues
afirmou que o Estatuto traz avanços em alguns pontos, mas precisa ser
melhorado em outros. O texto avança na parte de criminalizar a
discriminação. Avança também na responsabilização do gestor, por
improbidade administrativa, quando não se ajusta às questões de
acessibilidade, pontuou. Já o presidente da Comissão da Pessoa com
Deficiência da OAB-RJ, Geraldo Nogueira, ressaltou que é necessária a
criação de uma lei federal regulamentando a questão. O advogado
concordou que o Estatuto tem trechos positivos, porém lembrou que há
outros que precisam ser melhorados. Também participaram da audiência o
senador Lindberg Farias (PT-RJ), o presidente da Comissão da Pessoa com
Deficiência da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, vereador Alexandre
Isquierdo (PMDB), e a fundadora da Associação Niteroiense dos
Deficientes Físicos (Andef) e vereadora de Niterói, Tânia Rodrigues
(PDT), além de representantes de diversas associações ligadas à defesa
do direitos das pessoas com deficiência no estado.
Fonte: Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro
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