Vereadores querem acionar Justiça por gastos no Sairé

Vereadores querem acionar Justiça por gastos no Sairé

Os números gastos com o Sairé deste ano, apresentados nos telejornais da TV Tapajós ontem (24), repercutiram na manhã desta quarta-feira (25), na Câmara de Santarém. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, pouco mais de R$ 1 milhão foram usados com a festa do último fim de semana em Alter do Chão.



Segundo parlamentares da oposição, o valor está acima da metade do que foi aprovado para o orçamento da cultura em todo o ano. Nesta manhã, os vereadores apresentaram novos números. De acordo com orçamento aprovado ano passado pelos vereadores, o valor destinado a Secretaria de Cultura é de R$ 800 mil e mais 35% de remanejamento de outras secretarias, somando R$ 1,08 milhão.

Segundo o vereador Geovane Aguiar (PSC) só a Organização Não Governamental IPA recebeu um valor de mais R$ 1 milhão. “Já ultrapassou a cota. Para ultrapassar o teto, a Câmara deveria ter aprovado uma mensagem do prefeito, pedindo remanejamento de verba”, afirmou.

Ontem, em entrevista ao Jornal Tapajós 2ª Edição, o secretário de Cultura de Santarém, Nato Aguiar, afirmou que parte da arrecadação da bilheteria do Sairé seria devolvida ao Tesouro Municipal. Mas, nesta quarta-feira (25), no Portal Transparência, a conta da Prefeitura estava zerada.

De acordo com o secretário, a festa deste ano custou mais de R$ 1 milhão. Desse total, R$ 810 mil, segundo ele, foram investidos por patrocinadores e pelo governo do Estado, que entrou com o apoio de R$ 360 mil. Do Tesouro Municipal, o secretário explica que saíram R$ 260 mil para custear a estrutura da festa. “Se você precisa dar visibilidade a uma festa você precisa investir. Acho que esse um milhão e alguma coisa aí, estão dentro da estimativa. Na realidade a Prefeitura, se gastou muito, está dentro de R$ 300 mil, no máximo”, afirma Nato Aguiar.

Só em estrutura como som palco, iluminação e arquibancadas, o governo municipal teria gastado R$ 448 mil. Para os botos, foram destinados R$ 588 mil. “Esse recurso foi direto para os botos como para a coordenação pagar o evento todo”, afirmou o coordenador do Sairé, Marlisson Soares.

Segundo informações que constam no Portal Transparência do Município, a coordenação do Sairé recebeu R$ 440 mil e a ONG IPA, de apoio a eventos culturais, que funciona na BR 163, recebeu R$ 525 mil parcelados em cinco vezes de R$ 105 mil, um valor total de R$ 965 mil.

“O meu posicionamento é pautado no site da Prefeitura, no site oficial. No Portal da transparência é obrigado constar todas as despesas saídas do nosso dinheiro. Do dinheiro público do município de Santarém. Tudo que sair de lá para qualquer pagamento é obrigado por lei a constar para conhecimento do povo”, questiona a vereadora Ana Elvira Alho (PT).

 
(Fonte:: Portal da Transparência)


 
(Fonte:: Portal da Transparência)


“Porque contrataram uma Organização não governamental. Já que o dinheiro entrou no cofre da Prefeitura porque a Prefeitura não executou diretamente com o grupo dos botos?”, reclama o vereador Giovane.

Segundo o secretario de Cultura, o dinheiro é repassado ao IPA porque os botos estão inadimplentes. “As contas deles não foram aprovadas. E precisa de um órgão que faça esse agenciamento, então aí entrou o IPA”, informou. Perguntado sobre o show da cantora Ivete Sangalo, o secretário diz que o cachê pago a artista foi de R$ 200 mil, mais 50% da bilheteria. Os outros 50% serão utilizados para pagar custos da festa. O restante será devolvido aos cofres da Prefeitura.

Os diretores da Organização Não Governamental confirmaram os repasses. “Nós fizemos o projeto, apresentamos a secretaria. O projeto foi analisado tanto pelo secretário quanto pelo prefeito e eles chegaram um consenso de fechar o convênio em R$ 525 mil parcelado em cinco etapas. A gente tem todo um plano de trabalho mostrando onde vai cada ajuda financeira aos botos”, afirma o secretário executivo do IPA, Angelo Malet.

Os parlamentares querem que seja feita a prestação de contas sobre o dinheiro gasto na festa, no prazo de 30 dias. A vereadora Ana Elvira Alho disse que se não houver esclarecimentos vai acionar o Ministério Publico.

Fonte: Notapajos

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