STJ - Reduzido valor de indenização a ser paga pela CVC por causa de encalhe de navio
O
ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
reduziu de R$ 83 mil para R$ 30 mil o valor de indenização a ser paga
pela CVC Operadora de Viagens em razão do encalhamento de um navio de
cruzeiro por cerca de 21 horas.
Uma
passageira ajuizou ação indenizatória, com pedido de danos morais e
materiais, alegando que o encalhe, além de atrasar a viagem em 21 horas,
causou transtornos aos passageiros, que vivenciaram momentos de pânico e
aflição por causa da inclinação do navio.
O
juízo de primeiro grau condenou a CVC ao pagamento de R$ 8.810,16, a
título de danos materiais, relativos ao valor pago pelo cruzeiro e pelo
deslocamento aéreo Manaus/São Paulo/Manaus, mais R$ 83 mil como
indenização por danos morais.
O
Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), ao julgar a apelação da CVC,
afastou a condenação por danos materiais e manteve a condenação por
danos morais.
“Provado
que após o transtorno a viagem prosseguiu seu curso normal, sendo
cancelada apenas uma parada, e que a CVC ressarciu o valor referente ao
dia perdido, não há que se falar em dano material, motivo pelo qual se
impõe sua exclusão da condenação”, decidiu o TJAM.
Valor exorbitante
Em
seu recurso especial, a CVC alegou que o encalhe do navio, atribuído a
“fortes rajadas de vento na região”, decorreu de motivo de força maior
ou caso fortuito, circunstância que afastaria a responsabilidade do
fornecedor/transportador.
Sustentou
ainda que a indenização por danos morais arbitrada em R$ 83 mil é
exorbitante, pois somente um sétimo do tempo destinado ao cruzeiro foi
comprometido, transcorrendo normalmente o restante do que fora
programado.
A passageira também entrou com recurso especial, visando ao restabelecimento da sentença.
Inadimplemento grave
Em
seu voto, o ministro Salomão afirmou ser evidente que os transtornos
experimentados pela passageira não se enquadram no que a jurisprudência
tem chamado de meros dissabores, incapazes de produzir dano de ordem
extrapatrimonial.
Segundo
o ministro, o caso é de inadimplemento contratual grave. O cumprimento
do contrato, explicou, exigiria que tivessem sido prestados serviços
adequados na sua totalidade, como os que geralmente são contratados
nesses casos - hotelaria, guia turístico e transporte.
“O
defeito na prestação do serviço de transporte foi apenas um dos
problemas experimentados pela passageira, todos aptos a gerar enorme
constrangimento e abalo moral no consumidor, o qual procura esses
serviços exatamente para experimentar sensações diametralmente opostas”,
assinalou o ministro.
Enriquecimento sem causa
Entretanto,
o relator afirmou que, apesar da responsabilidade da agência de turismo
pela falha de qualquer dos serviços prestados em cadeia, a indenização
por danos morais não pode significar enriquecimento sem causa por parte
de quem experimentou o abalo moral.
O
valor da indenização de dano moral, disse ele, deve ser suficiente para
compensar o desconforto experimentado e ao mesmo tempo dissuadir
reincidências.
“Entendo
que o valor de R$ 83 mil - se observada a atualização com juros e
correção até a presente data, atinge cerca de R$ 150 mil - exorbita o
propósito da indenização por dano moral, devendo tal cifra, observadas
todas as circunstâncias do caso concreto e a condição das partes
envolvidas, ser fixada em R$ 30 mil, corrigida a partir da presente
data, com juros moratórios desde o evento danoso”, decidiu o ministro.
Quanto ao recurso da passageira, teve seguimento negado porque não indicou em qual hipótese constitucional se amparava.
Processo relacionado: REsp 1161726
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