Câmara aprova projeto que facilita aposentadoria de pessoa com deficiência
O
Plenário aprovou ontem (17) proposta que permite às pessoas com
deficiência se aposentarem com menos tempo de contribuição à Previdência
Social; ou, no caso da aposentadoria por idade, solicitarem o benefício
cinco anos antes do prazo atual.
A
proposta foi aprovada por unanimidade (361 votos) e será enviada à
sanção presidencial. O texto aprovado é o substitutivo do Senado ao
Projeto de Lei Complementar 277/05, do ex-deputado Leonardo Mattos.
Para
os casos de deficiência grave, o tempo de contribuição exigido para
aposentadoria integral de homens passa dos 35 para 25 anos; e de
mulheres, de 30 para 20 anos. Quando a deficiência for moderada, as
novas condições para aposentadoria por tempo de contribuição passam a
ser de 29 anos para homens e de 24 para mulheres. Caso a deficiência
seja leve, esse tempo será de 33 anos para homens e 28 para mulheres.
O
benefício de aposentadoria por idade também poderá ser requisitado,
independentemente do grau de deficiência, com cinco anos a menos que a
idade exigida atualmente, de 65 anos para homem e 60 para mulher. Nesse
caso, tanto o homem quanto a mulher com deficiência deverão ter
contribuído por um mínimo de 15 anos.
Para
a relatora da matéria na Comissão de Seguridade Social e Família,
deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL), a aprovação do projeto demonstrou
respeito à pessoa com deficiência. “A aprovação desse projeto valeu o
meu mandato. Obrigada aos deputados, à população brasileira e a todas as
pessoas com deficiência”, disse Rosinha da Adefal, que é cadeirante.
O
deputado Walter Tosta (PSD-MG), que também é cadeirante, foi relator do
texto pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Ele
afirmou que a aprovação do projeto foi um “momento histórico” e elogiou
a votação unânime.
Segundo
o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), a negociação
final do texto com a Casa Civil garantiu o direito a essas pessoas e
também preservou “com equilíbrio e responsabilidade” a Previdência
Social.
Tratamento prioritário
A
deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) ressaltou que as pessoas com
deficiência têm prioridades constitucionais. A gente passa na frente dos
outros na fila, sim, temos prioridade constitucional, disse a
parlamentar, que é cadeirante.
O
ex-deputado Leonardo Mattos, que também é cadeirante, veio à Câmara
acompanhar a votação. Segundo ele, a proposta encerra um ciclo que
começou com a busca da inserção da pessoa com deficiência no mercado de
trabalho. “Esse projeto faz o fechamento de toda a política voltada para
a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, política
que começou com reserva de vagas para deficientes e, agora, com a luta
por direito a aposentadoria.”
Mattos
ressaltou que, com a aprovação da proposta, as pessoas com deficiência
têm mais uma opção de aposentadoria. “Só podemos aposentar por invalidez
e, agora, com o projeto, ganhamos o direito à aposentadoria por tempo
de serviço, que tem critérios diferenciados”, acrescentou.
O
líder do PR, deputado Anthony Garotinho (RJ), pediu que a proposta seja
regulamentada rapidamente pelo Ministério da Previdência.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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