Fiesp: isenção de tributos federais da cesta básica derruba inflação
A
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acredita que a
isenção de tributos federais para novos produtos integrantes da cesta
básica pode reduzir em 0,5 ponto porcentual a taxa de inflação do País.
Em
audiência pública da comissão mista para analisar a Medida Provisória
609/13, que reduz a zero as alíquotas de tributos federais sobre os
itens da cesta básica, nesta terça-feira (17), o gerente do Departamento
de Agronegócio da Fiesp (Deagro), Antonio Carlos Costa, explicou que
essa queda ocorre porque alimentos e derivados respondem por cerca de
40% do índice inflacionário medido no Brasil.
Nesse
momento em que se observa aumento de preços principalmente dos
alimentos, Costa afirma que, sem a desoneração da cesta básica, a
participação de gêneros alimentícios no índice subiria para 68%. Segundo
afirmou, neste mês já se observou a redução de quase 9% no preço do
frango, e próxima a 8% no valor do óleo de soja.
A
MP 609/12 estende a alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins a todos os
tipos de carnes, café, óleo, manteiga, açúcar, papel higiênico, pasta de
dente e sabonete. Os demais produtos componentes da cesta - arroz,
feijão, farinhas, pão comum, massas alimentícias, leite e queijos - já
são isentos destes tributos desde 2004, pela Lei 10.925/04.
Potencial
O
coordenador de Tributos sobre Produção e Comércio Exterior da Receita
Federal, João Hamilton Rech, também ressaltou o potencial de combate à
inflação da medida. No entanto, ressalta que o comércio não está
repassando toda a isenção tributária para o consumidor.
Segundo
Rech, até agora houve repasse de apenas 5,4% da desoneração para o
preço final. “O consumidor tem de ficar atento, a redução de tributos
pode chegar perto de 10% do preço de produção, não se pode deixar passar
essa oportunidade”, sustentou.
O
coordenador da Receita lembrou que a alíquota de PIS/Pasep e Confins
caiu de 9,25% para zero, e para produtos industrializados - açúcar,
pasta de dente e sabonete - foi zerada também a taxa de Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI), de 5%.
Reivindicações
Participantes
da audiência também reivindicaram a inclusão de mais produtos na
proposta de isenção tributária. Tanto o deputado Vanderlei Siraque
(PT-SP) quanto o deputado Walter Ihoshi (PSD-SP) acham importante
incluir escova de dentes e absorvente higiênico na cesta básica.
Segundo
Ihoshi, 15% das brasileiras ainda não conseguem ter acesso a
absorventes. “Faltou lembrar desses produtos para que o brasileiro possa
ser contemplado na integralidade com esta cesta”, argumentou. Já
Siraque, que ainda pode o benefício para fraudas geriátricas, ressaltou
que outros produtos, como batata industrializada, bebida alcóolica e
cigarro, podem sofrer tributação maior para compensar a perda de
arrecadação.
O
presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura do
Ministério Agricultura, Marco Antônio dos Santos, considera importante
incluir o suco de laranja 100% natural no pacote de desoneração. Para o
deputado Paulo Teixeira (PT-SP), entretanto, se a sugestão for aceita,
deve beneficiar todos os sucos integrais.
Responsabilidade
Diante
desses pedidos, o coordenador da Receita Federal ponderou que, antes de
contemplar novos produtos é preciso avaliar o impacto das novas
desonerações. “Precisamos encontrar um compromisso, desonerando a cesta
básica deixamos de ter recursos para a seguridade social, não podemos
ser irresponsáveis”, asseverou.
O
relator da MP, deputado Edinho Araújo (PMDB-SP), prometeu analisar as
sugestões, mas concorda com a necessidade de avaliar o impacto das
medidas. “Vamos ouvir os integrantes da comissão, mas também
representantes do governo, que têm a responsabilidade de executar seus
planos”, disse.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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