Deputado critica documento favorável à descriminalização do consumo de drogas
Autor
de um projeto de lei que estabelece mais rigor no combate às drogas, o
deputado Osmar Terra (PMDB-RS) considerou “equivocada” a carta assinada
por sete ex-ministros da Justiça em defesa da descriminalização do porte
de drogas para consumo próprio. O documento foi entregue na terça-feira
(16) pelo ex-ministro José Gregori ao ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Gilmar Mendes, que é relator de um recurso sobre o
assunto. A decisão de Mendes sobre o assunto valerá para os demais
processos jurídicos sobre o mesmo tema em todo o País.
Na
carta, ex-ministros dos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz
Inácio Lula da Silva classificam como um “fracasso” a política de
combate às drogas baseada na criminalização do consumidor. José Gregori,
Tarso Genro, Márcio Thomaz Bastos, Aloysio Nunes, Miguel Reale Júnior,
José Carlos Dias e Nelson Jobim sugerem que o usuário seja tratado como
cidadão, a quem deve ser oferecida uma estrutura de tratamento baseada
em políticas de redução de danos.
“A
carta é equivocada. A Marcha da Maconha é equivocada. As pessoas até
podem defender o seu direito de usar, mas hoje nós precisamos diminuir o
número de doentes crônicos”, disse o deputado Osmar Terra, em
referência aos dependentes de drogas.
Terra
acredita que mesmo a maconha - considerada uma droga mais leve - pode
levar à dependência, à psicose e ao déficit cognitivo. “Hoje temos
gerações inteiras de pessoas que não conseguem trabalhar, estudar, fazer
mais nada”, resumiu.
Para
o advogado criminalista Alberto Toron, no entanto, não é possível
afirmar que todo usuário de droga é um dependente ou um doente. “O
sujeito que toma esporadicamente uma cerveja não é considerado um
alcoólatra. Da mesma maneira, quem fuma um cigarro de maconha
eventualmente não é dependente”, comparou.
Assim
como os ex-ministros da Justiça, Toron considera que as políticas de
criminalização do usuário fracassaram do ponto de vista da repressão à
demanda e ainda têm o efeito colateral de estigmatizar o usuário como
criminoso.
Tratamento
Apesar
de reconhecer que há usuários de drogas que levam uma vida normal,
integrados à sociedade, Alberto Toron acredita que alguns casos -
principalmente os relacionados ao uso de crack - devem ser encarados
como questão de saúde pública. “Pessoas que em condições degradantes
utilizam a droga doentiamente não podem ser tratadas como criminosas,
porque se trata de uma doença, não de um problema de ordem pública”,
avaliou.
Entretanto,
o criminalista analisa com cautela a possiblidade do tratamento
obrigatório para usuários. Em sua opinião, a internação involuntária
poderia ocorrer em casos extremos, como o de usuários de crack.
A
internação involuntária de dependentes químicos por até seis meses é um
dos pontos previstos no Projeto de Lei 7663/10, de Osmar Terra. Para o
parlamentar, a medida se apresenta como solução para as cracolâncias das
grandes cidades e possibilidade de resgate pleno do paciente.
Além
da internação involuntária, o PL 7663/10 aumenta a pena para os
traficantes; divide a competência das ações antidrogas entre União,
estados e municípios; torna obrigatória a oferta de vagas de trabalho
para ex-usuários em todos os contratos fechados com recursos públicos; e
traz um conjunto de regras gerais para a avaliação e o acompanhamento
da gestão das políticas públicas sobre drogas.
Aprovado
em comissão especial no fim de 2012 junto com outras propostas, a
proposta de Osmar Terra está pronta para a pauta do Plenário, na forma
de um texto substitutivo elaborado pelo deputado Givaldo Carimbão
(PSB-AL).
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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