Empresas de ônibus pedem redução do ICMS do diesel, pneus e passagens
Dirigentes
do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Septesc) e do
Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de
Florianópolis (Setuf) reivindicaram a redução do ICMS sobre o óleo
diesel, pneus e passagens como a única forma de baratear tarifas e
equilibrar custos e receitas. O pedido foi feito durante reunião da
Comissão de Transportes e Desenvolvimento Urbano da Assembleia, na tarde
desta terça-feira (9).
“O
ICMS representa 16% no custo final do diesel”, declarou Waldir Gomes da
Silva, presidente do Setuf, que também sugeriu a revisão do ICMS sobre
carrocerias e pneus. Os dirigentes do Septesc solicitaram a redução do
ICMS sobre o preço da passagem. “O ICMS custa 12% do preço da passagem”,
explicou Elias Sombrio, dirigente da entidade.
As
entidades informaram aos parlamentares o setor vive uma situação
delicada. Segundo os sindicatos, há empresa parcelando dívidas de até R$
20 milhões em 240 meses. “Tem empresa que mesmo vendendo tudo o que
tem, mais o patrimônio do dono, ainda vai ficar devendo para os bancos”,
relatou o presidente do Setuf.
“A
reunião foi produtiva, as posições convergem para um mesmo ponto, a
sobrevivência das empresas”, resumiu o presidente da comissão, deputado
Reno Caramori (PSD). O deputado Serafim Venzon (PSDB) também participou
da reunião.
A situação em Florianópolis
O
presidente do Setuf explicou que em 2003 havia 410 ônibus para
transportar 5,3 milhões usuários por mês, e que, em 2013, há 484 ônibus
para atender os mesmos 5,3 milhões. “Tivemos um crescimento de frota sem
crescimento de usuários”, constatou.
No
caso da região metropolitana, comparando com 2003, há 140 ônibus a mais
em 2013. “Para transportar o mesmo número de pessoas”, informou Waldir,
que creditou o aumento da frota ao incentivo concedido pela União à
aquisição de automóveis e motos, que privilegiou o transporte
individual. “Os automóveis vieram para a via e seguraram o trânsito,
potencializando os engarrafamentos e exigindo mais ônibus para os mesmos
percursos”.
Conforme
explicou Waldir, o custo da tarifa na capital, de R$ 3,21, decorre de
decisão judicial em ação movida pelo Ministério Público. Todavia, apenas
20% dos usuários pagam este valor. Nas chamadas linhas sociais, o
usuário paga R$ 1,75 no cartão e R$ 1,95 em dinheiro. Além
disso, os estudantes pagam a metade, os idosos e deficientes não pagam.
“Encontramos um valor efetivo de R$ 2,61, mais R$ 0,28 de subsídio
concedido pelo município, mas ainda tem quase R$ 0,40 de diferença”,
informou o dirigente do Setuf.
Já
Valmir Humberto Piacentini, secretário municipal de Transportes de
Florianópolis, reclamou do aumento do custo dos subsídios concedidos às
empresas. “Era de R$ 1,3 milhão, vai passar para R$ 1,8 mi
mês. O orçamento de R$ 18 milhões para este ano não vai dar, vamos ter
de arranjar dois a três milhões para cobrir o rombo”, lamentou o
secretário.
O transporte intermunicipal
De
acordo com Elias Sombrio, diretor do Setpesc, o transporte rodoviário
intermunicipal enfrentou na última década queda de 10% no número de
passageiros. “As empresas encolheram. Estamos buscando alternativas de
redução de custos. Temos um pleito de 13 anos, que é a redução do ICMS
sobre óleo diesel e a passagem’, informou.
O
representante do Setpesc reconheceu que, dependendo da promoção, é mais
barato ir a Chapecó de avião do que de ônibus. “Hoje não é a qualidade
que está comprometida, está comprometida a competição com outras
alternativas, como o automóvel e o avião. A tarifa está cara, o único
modo de reduzir é receber incentivos do governo”, garantiu Elias.
O
presidente do Deter, Neri Francisco Garcia, informou que a autarquia
subsidia o transporte de trabalhadores estudantes que utilizam a
travessia de ferryboat entre Itajaí e Navegantes. “Agora querem
gratuidade para todo mundo, é impossível. Redução de tarifa hoje
significa aumento de impostos”, justificou o presidente do Deter.
Fonte: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina
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