Vale do Jequitinhonha: três ex-prefeitos têm bens bloqueados por indícios de improbidade
O
Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de
Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Araçuaí e do Grupo Especial
de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (Gepp),
conseguiu o bloqueio dos bens de três ex-prefeitos dos Municípios de
Araçuaí, Virgem da Lapa e Itinga, no Vale do Jequitinhonha, bem como de
uma médica contratada pelas respectivas prefeituras e de um centro
médico administrado pela profissional da saúde. Há suspeitas de
irregularidades na contratação da médica e da empresa pelos municípios,
além de possível acúmulo ilícito de cargos públicos e consequente lesão
ao erário.
A decisão da Justiça, publicada no dia 19 de julho, atendeu a pedido de liminar formulado pelo MPMG em Ação Civil Pública
(ACP). A medida busca garantir que os suspeitos reparem os danos
causados aos cofres públicos em caso de condenação por improbidade
administrativa. Dessa forma, até o julgamento final da ação, os
ex-agentes políticos, a médica e o centro médico ficam impedidos de
alienar ou gravar automóveis e bens imóveis. Os valores depositados em
suas contas bancárias também ficam bloqueados até o limite de R$
682.500,00.
Ao
deferir a liminar, o juiz Rick Bert Guimarães considerou os indícios de
irregularidades em desfavor do interesse público e afastou qualquer
perigo de irreversibilidade da medida ou exigência de que fosse
demonstrada ameaça de dilapidação patrimonial. O interesse defendido com
a medida vai além do direito individual para abranger todo o interesse
público coletivo, ressalta o magistrado em sua decisão.
Indícios
Conforme
apurado pelo MPMG, em 2009, o então prefeito de Araçuaí contratou
temporariamente a médica para atuar na cidade, violando a regra
constitucional do concurso público. No mesmo ano, por meio de licitação e
com o apoio de cinco servidores do município, o centro médico foi
contratado para o atendimento de consultas ginecológicas realizadas pela
própria administradora da empresa.
O
mesmo centro também foi vencedor em licitação realizada em Virgem da
Lapa. De acordo com o MPMG, entre 2009 e 2010, o então prefeito do
município contratou, por meios ilícitos, a empresa registrada em nome da
médica. As investigações apontam que o ex-chefe do Executivo contou com
a colaboração dolosa de dois pregoeiros.
O
MPMG aponta que a médica contratada na época pelas Prefeituras de
Araçuaí e Virgem da Lapa já era servidora efetiva do Município de
Itinga. O fato configura violação à Constituição Federal, já que as
contratações efetivadas pelos ex-prefeitos dessas cidades infringiram
não apenas o princípio do concurso público, mas também a vedação de
acúmulo de cargos públicos de horários incompatíveis.
Ainda
de acordo com o MPMG, a médica, apesar de ter recebido os salários
referentes a dois cargos efetivos, bem como os valores dos contratos de
prestação de serviços e contratos temporários, não atuou efetivamente
nos três municípios, de acordo com as horas de trabalho previstas.
Para
o MPMG, os fatos favorecerem o enriquecimento ilícito da profissional,
além de configurarem conduta ilegal dos então prefeitos municipais.
Fonte: Ministério Público de Minas Gerais
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