Dilma pressiona base por MP dos Portos
A
presidente Dilma Rousseff determinou que todos os ministros políticos
mobilizem os deputados e senadores dos partidos que eles representam
para garantir a votação da Medida Provisória que regulamenta os portos
antes que ela perca a validade, na próxima quinta-feira.
A
ordem é votar a MP e derrotar a emenda do Eduardo Cunha, disse ao
Estado um interlocutor da presidente, ao se referir à proposta do líder
do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), que permite a
prorrogação por 10 anos das atuais concessões de áreas portuárias. O
governo vai para a guerra, avisou o interlocutor, acrescentando que o
Planalto quer testar a sua base.
Para
isso, Dilma quer que os ministros políticos indicados pelos partidos se
empenhem nesta segunda-feira em garantir os votos dos seus liderados na
Câmara e, em seguida, no Senado, justificando, assim, as suas nomeações
para o primeiro escalão. Dilma pediu ajuda também ao vice-presidente
Michel Temer, presidente de honra do PMDB.
Em
um primeiro momento, o Planalto não fala em retaliação ao
ministro-parlamentar que não conseguir trazer seus aliados para votar e
aprovar a MP. É que o governo não quer que os ministros se sintam
ameaçados. Mas lembra que as nomeações feitas são políticas para
assegurar a ampla base governista que precisa exatamente ser comprovada
momentos cruciais, como este.
Para
tentar garantir quórum nesta segunda-feira e o encaminhamento das
votações, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP)
convocou reunião para às 16 horas com os partidos da base. Mas Eduardo
Cunha anunciou que seu partido não concorda com a votação nesta segunda e
avisou que o PMDB vai obstruir a sessão, para evitar que os
parlamentares ausentes tenham o dia descontado no contracheque.
Cunha
disse que a votação será realizada apenas na terça-feira e que o PT
também apresentou destaques, que podem atrasar a conclusão do processo.
Será que, se o governo quisesse mesmo votar, o PT teria apresentado
quatro destaques? Nós vamos concordar em votar tudo na terça, mas vamos
debater cada destaque. Em alguns vamos votar com o governo, em outros
não, avisou.
Reação
A
reação de Dilma, na sexta-feira, determinando a mobilização de
ministros e que a base aliada derrote especialmente a emenda do líder
peemedebista, deu o tom da irritação dela e do governo, em geral, com
Eduardo Cunha. Era unânime a avaliação de que ele passou do ponto com
declarações dizendo que o texto do governo da MP dos portos atendia a
interesses econômicos de quatro grupos.
A
relação do Planalto com Eduardo Cunha nunca foi boa, mas piorou depois
da polêmica sessão de quarta-feira na Câmara, na qual deveria ter
aprovado a MP dos Portos, e azedou de vez depois das declarações do
peemedebista. Quem representa interesse de Daniel Dantas e do Grupo
Libra, que hoje são responsáveis por mais de 1,5 milhão de metros
quadrados de áreas portuárias em Santos e no Rio é ele, reagiu o
governo, ao lembrar que estes são os dois interesses preservados nas
emendas de Eduardo Cunha, que preserva as áreas das atuais
concessionárias e impede a competição no setor.
Na
opinião de Eduardo Cunha, os ataques feitos a ele, na verdade, escondem
os problemas da articulação política do governo. Acho que está havendo
uma grande falha de articulação política. Eles não deram conta de
negociar e vão querer me culpar. Estão colocando uma coisa que não
corresponde à verdade. Desde quando defender licitação é defender
interesse econômico?, questiona Cunha. Ele afirmou que sua emenda
aglutinativa reúne apenas alguns dos 28 destaques e lembra que, para
aprovar a MP, o governo precisará passar por todas essas votações.
O
Planalto está convencido de que vai ser uma guerra permanente daqui
para a frente com Eduardo Cunha. Um interlocutor cita, por exemplo, as
ameaças que ele já estaria fazendo ao governo em relação ao texto que
está sendo elaborado para regulamentar a exploração da mineração no
País. A MP da Mineração nem saiu do Planalto e ele já está fazendo
ameaças, comentou um assessor presidencial. Também nesta questão, o
governo não abrirá mão de se contrapor ao que Cunha vier a apresentar.
A
presidente Dilma proibiu seus auxiliares de admitir a possibilidade de
elaboração de um Plano B, para o caso de a MP não ser aprovada e acabar
caducando. No entanto, o Plano B já está em curso e o governo deixou de
lado a ideia de nova MP, para evitar questionamentos jurídicos, e está
trabalhando na elaboração de um decreto presidencial com as medidas de
modernização dos portos. Mas o governo já foi advertido que também este
decreto poderá ser questionado juridicamente, se transformar em um novo
embate com o Legislativo e, no final, parar no Judiciário.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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