Empresas envolvidas no cartel podem ser proibidas de participar de licitações
As
empresas envolvidas no caso que está sendo investigado sobre cartel em
licitações de metrôs e trens podem ser proibidas de participar de novos
processos licitatórios por pelo menos cinco anos, caso sejam condenadas.
De
acordo com um dirigente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade), o órgão fará um esforço para reduzir ao máximo o prazo de
análise dessa denúncia e, após o julgamento, as companhias podem ser
retiradas de licitações em andamento.
No
início do mês, o Cade cumpriu mandados de busca e apreensão em 13
companhias suspeitas de fraudarem licitações de metrôs e trens em São Paulo
e no Distrito Federal. Os membros desse grupo estão entre os principais
cotados para participar da licitação do trem-bala, cujo leilão está
previsto para setembro e a assinatura do contrato, para o início de
2014, como as empresas Alstom, Siemens, CAF e Bombardier.
Segundo
o Cade, nenhuma autoridade do governo que está cuidando dessa licitação
- Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes - procurou o
órgão para tratar do assunto. Mas o dirigente considerou que, enquanto o
caso está sendo investigado, todas as empresas têm a presunção da
inocência. Por isso, seria impraticável proibi-las de entrar em
licitação antes de uma decisão final do órgão.
Essa
mesma fonte destacou ainda que, caso haja condenação, a tendência é de
que os governos estadual e distrital procurem o Pjudiciário para também
solicitar ressarcimento, já que a multa aplicada pelo Cade vai para o
Fundo de Direitos Difusos do Ministério da Justiça.
Além disso, o Ministério Público também pode entrar com ação civil pública para cobrar de eventuais empresas condenadas.
A
investigação em curso sobre formação de cartel teve início após um
acordo de leniência - em que o delator fica isento de punições -
assinado entre o Cade, o Ministério Público Estadual de São Paulo e a
empresa Siemens.
Em 2008, a
empresta teve de firmar acordos com as Justiças da Alemanha e dos
Estados Unidos por causa do pagamento de propina para agentes públicos
em diversos países do mundo. A promotoria de Munique, na Alemanha,
detectou pagamentos para dois brasileiros. Os acordos incluíram a
delação de esquemas de corrupção nos países em que a multinacional alemã
atua. O próprio Cade investigou denúncias que partiram dessas
investigações naquele ano. Em 2011, a empresa chegou a demitir seu presidente para o Brasil - no mundo, entre 2008 e 2011, foram cem executivos demitidos.
Esquema.
As
investigações do Cade têm foco na formação de cartel e o órgão ainda
não confirma recebimento de informações que liguem a atuação do grupo,
que contava com 13 empresas, com esquemas de corrupção de servidores. Em São Paulo,
segundo a denúncia da Siemens, o cartel atuou no fornecimento de trens e
na construção de trechos das Linhas 5-Lilás e 2-Verde.
PARA ENTENDER
O
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) obteve um mandado de
busca e apreensão contra 13 empresas fornecedoras de material para
trens após firmar um acordo de leniência com a Siemens. A multinacional
alemã deu detalhes do funcionamento de um cartel que atuava em
licitações de São Paulo e do Distrito Federal em troca de isenção nas
punições. O cartel, segundo a denúncia, funcionaria desde 1998.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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