MPE requer revogação de Resolução do Consema que autoriza lançamento de esgoto tratado em galeria de águas pluviais
O
Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) aprovou uma Resolução que
autoriza o lançamento de efluentes tratados oriundos de estação de
tratamento de esgoto doméstico em galeria de águas pluviais em Mato Grosso. O assunto é polêmico e levou o levou o Ministério Público do Estado de Mato Grosso a requerer a revogação da referida resolução.
De
acordo com o titular da Procuradoria Especializada na Defesa Ambiental e
Ordem Urbanística, Luiz Alberto Esteves Scaloppe, o Consema decidiu
formar uma comissão técnica para a análise da resolução. Na última
terça-feira (02.07), o grupo, formado por engenheiros, biólogos e por
representantes da Prefeitura de Cuiabá, Companhia de Abastecimento de
Água (CAB), Agência Municipal de Água e Esgoto e Conselho Estadual de
Recursos Hídricos, se reuniu nas dependências do Ministério Público para
discutir o assunto. Eles terão 60 dias para concluir o estudo.
No
pedido de revogação encaminhado ao presidente do Consema, o procurador
de Justiça apresentou um relatório técnico demonstrando que o esgoto
tratado também pode poluir e contaminar o meio ambiente. “Tratar esgoto
em nível terciário, com remoção adequada de micróbios e de sais de
nitrogênio e fósforo, que podem poluir as águas, tem custo muito
elevado, e, na maioria dos casos, as estações de tratamento de esgotos
domésticos que serão construídas, assim como as já existentes farão o
tratamento sem a remoção suficiente desses micróbios e poluentes, porque
os sistemas de tratamentos geralmente não removem os nutrientes”, diz
um trecho do parecer.
Conforme
o procurador de Justiça, que também integra o Consema, hoje apenas 28%
do esgoto da Capital são tratados e que o tratamento remove apenas 80%
do esgoto. Os 20% restantes são de coliformes fecais. “Esgoto, mesmo que
tratado, tem que ser na rede de esgoto. É inadmissível que esse
material seja lançado nas galerias pluviais de águas”, afirmou Scaloppe.
O
representante do Ministério Público destacou, ainda, que as ligações de
esgotos na rede de drenagem contribuem para a sua obstrução,
extravasamento, emanação de maus odores e proliferação de vetores
causadores de doenças. “Conforme o parecer técnico elaborado pela
engenheira sanitarista do MPE, as águas pluviais devem ser coletadas e
transportadas em um sistema de drenagem pluvial totalmente independente
da rede de esgotamento sanitário. Esta prática diminui significadamente
os custos de implantação do sistema”, destacou o procurador de Justiça.
Scaloppe
apontou, também, incongruências relacionadas às competências para
fiscalização. “Pelo contrato com a prefeitura, a CAB tem que dar
prioridade a água e não ao esgoto. Os proprietários dos grandes
empreendimentos, por sua vez, não querem pagar o custo do emissário até a
rede de esgoto. Autorizar o lançamento de esgoto tratado na rede
pluvial é um perigo, pois ninguém sabe hoje como está sendo feito esse
tratamento”, alertou.
Fonte: Ministério Público do Mato Grosso
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