STF - Suspenso julgamento sobre responsabilidade da Administração Pública em terceirizações
Pedido
de vista da ministra Rosa Weber interrompeu, nesta quinta-feira (7), o
julgamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), das
Reclamações (RCLs) 14996, 15342 e 15106. Nelas, a Companhia de
Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), a União e o
Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais
questionam, respectivamente, decisões, do Tribunal Superior do Trabalho
(TST) e dos Tribunais Regionais do Trabalho da 9ª Região (PR) e da 3ª
Região (MG), que os condenaram ao pagamento de obrigações trabalhistas
inadimplidas por empresas contratadas, reconhecendo a responsabilidade
subsidiária da Administração Pública. O pedido de vista foi formulado
depois que a relatora, ministra Cármen Lúcia, votou pela procedência das
três reclamações.
Nas
ações, os entes públicos sustentam ofensa ao decidido pelo STF em
24/11/2010, no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade
(ADC) 16. Naquela oportunidade, o Plenário julgou constitucional a norma
contida no artigo 71, parágrafo 1º, da Lei 8.666/93 (Lei das
Licitações). Na redação que lhe foi dada pela Lei 9.032/1995, esse
dispositivo prevê que ”a inadimplência do contratado, com referência aos
encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à
Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento”.
Os
autores das RCLs alegam justamente que as decisões contestadas violaram
o parágrafo 1º do artigo 71 da Lei 8.666, uma vez que estabeleceram
responsabilidade direta e automática da Administração Pública pelos
débitos trabalhistas. Ocorre que, no julgamento da ADC 16, a
Suprema Corte fez a ressalva de que somente em caso de comprovada
responsabilidade in vigilando (na fiscalização da contratada) o Poder
Público poderia eventualmente ser responsabilizado de forma subsidiária.
Alegam,
também, descumprimento da Súmula 10 do STF, segundo a qual “viola a
cláusula de reserva de plenário (prevista no artigo 97 da Constituição
Federal) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não
declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte”. Isso porque
as decisões questionadas foram tomadas por Turmas (órgãos
fracionários), quando somente poderiam ser tomadas por órgãos decisórios
máximos de tribunais (Plenários ou Cortes Especiais).
Ônus da prova
Na
sustentação oral que fez na sessão desta quinta-feira, a
secretária-geral de Contencioso da Advocacia-Geral da União (AGU),
Gracie Maria Fernandes Mendonça, afirmou que a União responde a 10 mil
processos em que se pretende dizer que a decisão do Supremo na ADC 16
estabeleceu a responsabilidade subsidiária do Poder Público no caso de
inadimplemento das obrigações trabalhistas da contratada. E isso,
segundo ela, de forma automática, sob alegação de omissão in elegendo
(na escolha da contratada) e in vigilando (na fiscalização da
contratada) e, mais: exigindo-se do Poder Público que comprove que não
se omitiu, invertendo o ônus da prova, que cabe a quem propõe a
reclamação trabalhista.
Voto
Em
seu voto, a ministra Cármen Lúcia frisou que houve descumprimento da
decisão do STF na ADC 16 e da Súmula Vinculante 10 pelas decisões
contestadas. Além disso, o Poder Público não descumpriu obrigações. Ela
lembrou que, em duas das reclamações em julgamento, presume-se a culpa
do Poder Público e, na terceira, atribui-se a ele a culpa in vigilando,
porém sem prová-la.
A
relatora observou que, na contratação de empresas, o Poder Público é
atrelado à Lei de Licitações. Portanto, só são contratadas empresas que
preenchem os requisitos fixados por essa norma. A mesma lei também leva o
Poder Público, segundo ela, a se preocupar em exercer vigilância dos
contratos.
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