Nelson Barbosa descarta desoneração do combustível no transporte urbano
O
ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou, ontem (22), que,
atualmente, não é possível o governo conceder uma desoneração do
PIS/Cofins e do ICMS no combustível utilizado nos ônibus urbanos e na
eletricidade no metrô, mas observou que a proposta de diminuição da
tributação das passagens de ônibus está sendo analisada pelo governo
federal.
Durante
audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) destinada a
discutir a desoneração do transporte público e a instrução do Projeto de
Lei da Câmara 310/2009, que institui o Regime Especial de Incentivos
para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros
(Reitup), Nelson Barbosa explicou que a extensão da desoneração aos
combustíveis, prevista no projeto, chega a dobrar o impacto orçamentário
que se teria com a redução do PIS/Cofins apenas nas passagens.
- Nesse ponto não é possível fazer uma desoneração nesse momento até por questões fiscais - afirmou.
O
PLC 310/2009 prevê, em caso de implantação de regime de bilhete único
ou do sistema de transporte integrado, a redução a zero das alíquotas da
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), do PIS-Pasep e
da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)
incidentes sobre a prestação dos serviços de transporte urbano e ainda
na aquisição de insumos (como combustíveis e componentes de veículos)
neles empregados.
O
texto também prevê a aplicação do regime especial para a energia
elétrica utilizada por metrôs, trens metropolitanos e trólebus, na
operação dos centros de controle e das estações e na iluminação de
terminais e abrigos de pontos de ônibus.
Além
do impacto orçamentário, Nelson Barbosa explicou que, caso a proposta
seja adotada futuramente, é preciso limitar a quantidade de combustível a
ser desonerada, já que a tributação do diesel é feita na refinaria, não
sendo possível prever para qual uso ele será destinado, e também como
forma de promover a eficiência energética.
-
Se essa medida for adotada, deve ser identificada uma quantidade de
combustível a que cada companhia terá acesso - disse, explicando que a
companhia, então, poderá dar a ordem para que a distribuidora compre na
refinaria essa quantidade, o que permitiria um maior controle.
Isenções
Representantes
da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), da Associação
Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (Antu), da Frente Nacional
de Prefeitos, dos Ministérios das Cidades e da Fazenda, da Frente
Parlamentar do Transporte Público e da Nova Central Sindical dos
Trabalhadores (NCST) defenderam as isenções e pediram rapidez na
aprovação do projeto, que tramita em caráter terminativo na CAE.
O
representante da Frente Nacional dos Prefeitos, José Fortunati,
destacou que o impacto do preço da passagem no bolso do trabalhador
ainda é muito alto. Ele destacou que, em Porto Alegre, o gasto médio do trabalhador com passagem de ônibus é de R$ 142 mensais.
-
Se apanharmos uma família pequena, onde tenhamos dois adultos e um
estudante que pague meia passagem esse impacto vai para 365 reais. Para
uma família de trabalhadores esse é um impacto bastante importante que
nós precisamos atenuar - ressaltou.
Fortunati informou que, em Porto Alegre,
o custo da frota impacta em 28,8% a tarifa do transporte coletivo; os
combustíveis, 16,11%; os tributos, 11,15% e os pneus, 1,70%. Em sua
avaliação, o Regime de Incentivos trará uma diminuição significativa do
preço da passagem, que é tema de preocupação dos gestores públicos das
médias e grandes cidades.
O
deputado federal Carlos Zarattini criticou o aumento de motocicletas
nas cidades. Segundo ele, o número é diretamente proporcional ao aumento
do preço da tarifa de ônibus e traz consigo uma elevação do número de
acidentes e mortes no trânsito. Para ele, a diminuição do preço da
passagem, associada com um transporte público de qualidade, poderia
diminuir a quantidade de motocicletas e carros e, consequentemente,
promover uma melhora no trânsito.
Gratuidade
Os
debatedores também pediram a mudanças no que diz respeito à gratuidade
de passagens. De acordo com Marcos Bicalho dos Santos, diretor
administrativo da Associação Nacional das Empresas de Transportes
Urbanos, as gratuidades representam um custo adicional de 17% nas
tarifas de transporte público, que é suportado somente pelos próprios
usuários do transporte.
-
Isso traz, em algumas situações, verdadeira injustiça social, pois
temos usuários de baixa renda, às vezes desempregados pagando sua
própria passagem e subsidiando um idoso de classe média, um estudante de
classe média que, na realidade, não estaria precisando daquele
benefício - disse.
Fonte: Senado Federal
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