Projeto de regulamentação do trabalho doméstico ainda depende de definições do governo
O
senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou nesta segunda-feira (22) um
esboço do que será a regulamentação da emenda constitucional que amplia
os direitos dos empregados domésticos. Os detalhes ainda estão sendo
discutidos com o governo, que deve, por exemplo, definir como
operacionalizar o Supersimples Doméstico e definir alíquotas de
contribuições.
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Estamos trabalhando a pleno vapor no sentido de fazer isso rapidamente,
mas é claro que nós temos que articular com o governo, porque muito da
implementação da lei e a própria sanção da lei depende do governo -
disse Jucá, relator da Comissão Mista de Consolidação das Leis e
Regulamentação da Constituição, que trata da matéria.
Segundo
o senador, serão dois projetos de lei. O primeiro deve tratar das
questões do regime de trabalho, como horas extras e banco de horas. O
segundo projeto, complementar, deve tratar de questões como o Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a multa rescisória e as alíquotas
do INSS.
Como
algumas questões dependem de decisões do governo, o prazo para a
divulgação do texto preliminar pode ser ampliado. A intenção da comissão
mista era votar o texto na próxima quinta-feira (25), mas o texto que
será apresentado ainda depende de acordo.
Segundo
o senador, caso não haja esse entendimento até a quinta, será divulgada
a minuta com as primeiras propostas para o tema, que, depois, poderá
ser modificada. Depois de passar pela comissão, o texto ainda deve ser
votado nos plenários da Câmara e do Senado.
Principais pontos
Jucá
informou que o governo já concordou com a criação do Supersimples
Doméstico, que permitiria ao empregador recolher os encargos em um só
boleto. A ideia de redução da alíquota do INSS, no entanto, ainda está
sendo discutida. O governo está calculando os impactos de uma possível
redução para evitar o desequilíbrio nas contas.
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A questão das alíquotas tem que ser feita com muito cuidado porque a
Previdência tem que trabalhar em equilíbrio, não só nesse governo, mas
para o futuro. É claro que alíquotas menores são melhores para o
empregador e para o empregado. Agora, não podemos criar uma situação de
desequilíbrio que vá penalizar a Previdência - afirmou o senador, que
também pretende incluir na lei facilidades para o pagamento do INSS
retroativo, medida que incentivaria a formalização.
Outra
questão ainda em discussão é a multa em caso de demissão sem justa
causa. Empregados em geral recebem um valor equivalente a 40% do saldo
das contribuições do empregador ao FGTS. A proposta do senador é
diminuir esse percentual na relação de emprego doméstico. O índice seria
de 10% para a demissão sem justa causa e de 5% para a “culpa
recíproca”, quando a decisão é tomada em acordo pelos dois lados.
O
senador afirmou que a multa de 40% foi fixada na época da Constituição
de 1988, quando a inflação era muito mais alta. Os parâmetros seriam
inadequados aos dias atuais. Além disso, na opinião de Jucá, de todos os
novos direitos, a multa é o que mais pode desequilibrar o orçamento
doméstico.
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É um parâmetro que está dissociado do orçamento familiar e da realidade
econômica que estamos vivendo hoje - explicou o senador.
Jucá
ressaltou que a realidade das contas domésticas é muito diferente
daquela encontrada nas empresas e que, por isso, também pretende alterar
a lei para impedir a penhorabilidade dos bens de família em caso de
dívidas com os empregados.
Rotina de trabalho
Outras
sugestões do senador são alterações na rotina de trabalho, com a
flexibilização de horários, por exemplo. Entre as possibilidades está a
redução do horário do almoço, por acordo entre as partes, para atender
os empregados que desejam sair mais cedo do trabalho.
O
banco de horas também é uma ideia defendida por Jucá. Segundo o
senador, o projeto trará todas as regras para a compensação do horário.
As horas acumuladas devem valer por um ano e, em caso de demissão, devem
ser pagas aos empregado.
O
banco poderá servir, por exemplo, para compensar o trabalhador que
viajar com os patrões, já que o tempo de viagem deve ser contado para
compensação. O senador afirmou que a lei deverá seguir o sistema
aplicado às pessoas que trabalham embarcadas. Já o tempo de descanso dos
empregados que dormem nas casas dos patrões, segundo Jucá, não deve ser
contado como sobreaviso ou jornada extraordinária.
Também
estão sendo discutidas alternativas de enquadramento para os
cuidadores, por exemplo. A intenção do senador é prever em lei o máximo
possível de situações para evitar conflitos.
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Quanto mais a regra for clara e prever as peculiaridades, menos
conflito vai dar na Justiça do Trabalho. A gente não quer criar um
inferno para as famílias e nem desequilíbrio no emprego.
Fonte: Senado Federal
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