C.FED - Parecer propõe prorrogação dos incentivos da Zona Franca de Manaus por 50 anos
O
relator da comissão especial que analisa a prorrogação dos benefícios
tributários da Zona Franca de Manaus apresentou seu parecer nesta
quarta-feira (18) com a proposta de ampliação do prazo por 50 anos. Pelo
texto atual da Constituição, os benefícios da Zona Franca, criada em
1967, terminariam em 2023.
Na
prática, o relator, deputado Átila Lins (PSD-AM), escolheu a proposta
de emenda à Constituição (PEC) que veio do Executivo (103/11), entre as
três que tramitavam apensadas. O deputado considerou que a proposta que
veio do Senado (PEC 506/10) tinha um prazo muito curto, prorrogando
apenas por 10 anos. A outra PEC (439/09) prorrogava os incentivos por
tempo indeterminado, o que, segundo Átila Lins, contraria a natureza
temporária dos benefícios fiscais.
Estes
benefícios incidem sobre os principais impostos e contribuições
federais para os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus:
isenção total do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
redução de até 88% do Imposto de Importação sobre insumos da indústria;
diminuição de 75% do Imposto de Renda;
isenção do PIS/Pasep e da Cofins nas operações internas da área.
Importância social e ambiental
Átila
Lins afirma que a Zona Franca de Manaus funciona bem e cumpre uma
função social e ambiental importante: A concentração de grandes
indústrias na cidade de Manaus inibe o desmatamento da floresta na
medida que gera empregos diretos e indiretos, afastando os trabalhadores
das atividades que poderiam ser danosas à biodiversidade”. Ele lembra
ainda que a Zona Franca é “uma política de Estado, amparada pela
Constituição federal de 88 como contrapartida aos graves problemas de
infraestrutura e logística de transportes, dada a situação geográfica da
região e a distância que se encontra dos grandes centros.
Outro
ponto que, segundo o deputado, mostra o sucesso da iniciativa é a
evolução do produto interno bruto (PIB) do Amazonas, que antes da
implantação da Zona Franca representava apenas 0,6% do PIB do Brasil e
atualmente representa 1,58%. Átila Lins destaca também que a arrecadação
tributária da Zona Franca de Manaus representa 54% da arrecadação total
da Região Norte, gerando 120 mil empregos diretos.
Renúncias fiscais
O
relator rebate críticas às renúncias fiscais, dizendo que o Norte
recebeu em 2012 apenas R$ 26 bilhões, que corresponde a 18% das
renúncias fiscais totais da União, enquanto o Sudeste recebeu mais de R$
70 bilhões, ou 48,44% das renúncias fiscais totais da União, hoje em R$
146 bilhões, segundo dados da Receita Federal.
Átila
Lins modificou o texto original da proposta do governo para incluir
duas emendas que prorrogam os prazos das áreas de livre comércio do País
pelo mesmo tempo da Zona Franca de Manaus, “para não gerar
desigualdades entre as regiões”.
Tramitação
O parecer ainda será votado pela comissão especial para poder seguir para o Plenário da Câmara.
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