Juízes devem se preocupar mais em garantir direitos do que punir jovens infratores, diz magistrada gaúcha
Quando
se trata dos direitos de crianças e adolescentes, Vera Lúcia Deboni,
juíza da vara da infância e juventude do Tribunal de Justiça do Rio
Grande do Sul (TJRS), é radical. O juiz deve ser um garantidor de seus
direitos e lembrar que o cidadão paga pela inércia do estado. “Pena para
menores é retributiva e não educacional, devendo ser usada com todo
cuidado. Minha experiência é que o jovem não aprende nada enquanto está
preso”, afirmou.
Vera
Lúcia Deboni proferiu palestra para 55 juízes estaduais
recém-empossados no Paraná e no Piauí, que participam do III Curso de
Iniciação Funcional de Magistrados, promovido pela Escola Nacional de
Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo
(Enfam).
Segundo
a magistrada gaúcha, a aplicação integral do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) enfrenta enormes problemas na atualidade, ou por falta
de estrutura ou por dificuldade na aplicação das leis. “Hoje, a
aplicação de pena no ECA beira a esquizofrenia, já que usa parte do
Código de Processo Civil e parte do Código de Processo Penal”, alertou.
Vera
Lúcia Deboni apontou que o julgador deve ter sempre em mente a
legislação e a doutrina da proteção integral do menor e do adolescente.
Para ela, o juiz não pode atuar como órgão de segurança, mas como
garantidor de direitos. “Para a prisão, não deve haver interpretação
social. Não caiam na tentação de usar a caneta de juiz para obrigar o
estado a fazer o papel de outros agentes sociais, como a família e a
sociedade”, concluiu.
Fonte: Superior Tribunal de Justiça
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