MP recomendará anulação de concurso da Polícia
Depois de
quatro anos de preparação para o concurso público que pretendia
preencher cargos de delegado, investigador e escrivão da Polícia Civil
do Estado do Pará, o candidato Silvio Mendonça se viu, novamente, diante
de uma série de irregularidades que podem culminar na invalidação do
processo seletivo realizado no dia 5 de maio deste ano.
Ciente das denúncias após reunião realizada
com uma comissão dos concursandos na manhã de ontem, a promotora de
justiça do Ministério Público do Estado do Pará, Elaine Castelo Branco,
já instaurou um inquérito civil para apurar os fatos e deve pedir a
anulação do concurso.
Segundo a promotora, as denúncias observadas
no concurso 001, de 2013, são ainda mais graves que as observadas
quando houve a anulação do concurso anterior da Polícia Civil, realizado
em setembro do ano passado.
“São diversas denúncias que são gravíssimas
como o uso de celulares em sala de aula, celulares que tocaram, o número
reduzido de fiscais. Temos relatos de candidatos que, ao ir ao
banheiro, ouviram outras pessoas falando ‘passa logo as respostas’,
então, são denúncias até mais graves que as identificadas no concurso
anterior”, apontou. “Já foi instaurado um inquérito civil para apurar as
denúncias de irregularidades e hoje (ontem) ou amanhã (hoje) estaremos
expedindo uma recomendação para a anulação do concurso”.
PRISÃO
A promotora ainda informou que recebeu
informações de cinco fontes diferentes de que uma pessoa foi presa
durante a realização da prova do concurso em questão, fato que não teria
sido divulgado. “Soubemos que houve uma prisão em flagrante que não foi
divulgada, mas estamos solicitando o depoimento desta pessoa. Essa
informação não havia chegado ao MP. Eu fiquei sabendo ontem
(terça-feira)”.
Enquanto os procedimentos de investigação
são adotados pelo Ministério Público, a expectativa de Silvio Mendonça,
um dos candidatos ao cargo de delegado, é a de que o concurso seja
realmente anulado.
“É muito frustrante essa situação. Eu fui
aprovado no concurso C-149 e até agora não fui chamado. Fiz as provas do
concurso de 2012 que foi anulado e fiz o de agora de 2013 que tem que
ser anulado também”, desabafou.
Também concorrente ao cargo de delegado, o
advogado Marx Picanço também espera que a atuação do MP resulte na
invalidação do processo seletivo que, segundo ele, continua correndo
normalmente. “Temos indícios de irregularidades que vão desde
interceptação telefônica com probabilidade de venda de gabarito, até a
prisão de uma pessoa e o depoimento de quatro policiais sobre essa
prisão. Tem um inquérito na corregedoria da polícia”.
Segundo a promotora, a Secretaria de Estado
de Administração (Sead) já foi acionada para falar sobre o assunto.
“Encaminhamos um ofício à Sead ontem para que eles se manifestem dentro
do prazo de 10 dias”.
Sead diz que prova ocorreu de acordo com as normas
Em nota, a Sead e a Universidade do Estado
do Pará (Uepa), informam que “o concurso ocorreu de acordo com as normas
previstas no edital, no que se refere a questões de segurança,
logística, procedimento e de conteúdo, observando regiamente o edital,
havendo articulação prévia com a área de segurança pública do Estado
para assegurar todas as condições de realização” .
Informou ainda que foram ofertadas todas as
condições físicas infraestruturais de segurança para garantir a lisura
do certame. “Então, o recolhimento dos aparelhos celulares em sacos
plásticos devidamente isolados, a fiscalização com detector de metais na
porta de entrada de cada um dos locais de prova, inclusive dos
banheiros, vistoria dos locais de realização de provas, acompanhamento
dos coordenadores e dos fiscais e da polícia quando necessário, foram
medidas adotadas à segurança de realização das provas”.
Afirmou que a Sead, a Polícia Civil, Uepa e a
comissão do concurso estão à disposição para apurar as supostas
irregularidades e para os esclarecimentos necessários.
Fonte: Diário do Pará
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