Procurador-geral defende poder de investigação do Ministério Público
Diante
de cerca de 400 alunos, promotores de Justiça, professores e diretores
da Faculdade de Direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE) de Bauru
(SP), o procurador geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias
Rosa, defendeu o poder de investigação do Ministério Público.
Quando
o Ministério Público realiza investigações criminais, não o faz em
detrimento de nenhuma outra instituição, disse Elias Rosa. O faz em
busca somente da efetiva aplicação da lei penal.
O
Ministério Público está sob ameaça de projetos que buscam enfraquecer a
instituição. Um desses projetos é a PEC 37, Proposta de Emenda à
Constituição, que alija os promotores das investigações de âmbito
criminal. A PEC 37 está em curso na Câmara dos Deputados.
Para o procurador geral a PEC 37 é desnecessária, inadequada e contrária ao momento histórico do País.
Ele falou sobre o O Poder Investigatório Criminal do Ministério Público, em palestra na noite desta segunda feira, 3.
A
investigação é função precípua da polícia judiciária, mas não significa
que o Ministério Público também não possa investigar, quando
necessário, afirmou o chefe do Ministério Público paulista. O papel da
polícia deve ser preservado e valorizado.
Para
Elias Rosa, a proposta, conhecida como PEC da Impunidade não encontra
respaldo na sociedade. Perguntem aos cidadãos que medidas no âmbito
penal eles gostariam de ver debatidas no Congresso. Alguns apontarão
penas mais rígidas para determinados crimes; outros talvez prefiram a
redução da maioridade penal, mas certamente ninguém responderá que
deseja que o Ministério Público não possa investigar.
Ele
também enfatizou que o Ministério Público atua para tornar concretos e
efetivos os valores dados pela Constituição Federal. E sublinhou que a
Constituição confere ao Ministério Público o poder investigatório, já
previsto pela legislação desde a década de 40. Agora, a pretexto de
valorizar a polícia judiciária, querem suprimir o poder investigatório
do Ministério Público, o que seguramente não será bom para a sociedade,
caso se concretize, alertou.
Elias
Rosa destacou que eventual aprovação da PEC 37 contribuiria apenas para
aumentar a impunidade. Citou que no Brasil o índice de elucidação de
crimes não supera 8%, ante 80% do Reino Unido. Não é retirando o poder
de investigação do Ministério Público que modificaremos essa triste
realidade, afirmou o procurador geral. Ele citou casos em que a
investigação do Ministério Público foi decisiva e possibilitou a
identificação e a condenação de autores de crimes.
O
procurador ressaltou, ainda, o papel dos promotores de Justiça,
responsáveis por manejar a lei para encontrar o direito e, assim, fazer
justiça. Falou sobre a missão constitucional do Ministério Público como
defensor da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis, explicando que a função da
instituição vai muito além de atuar como fiscal da lei.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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