Norma sobre transparência empaca em cidades pequenas
O
prazo final para que todos os municípios brasileiros se ajustem à Lei
da Transparência venceu ontem com fragilidades tanto no cumprimento da
norma por parte das prefeituras quanto na sua fiscalização por parte dos
órgãos de controle.
Aprovada em 2009, a
lei estabeleceu prazos de acordo com o número de habitantes das cidades
para que as prefeituras divulgassem, em tempo real, informações
relativas a suas receitas e despesas.
Caso contrário, ficariam impedidas de receber recursos dos governos federal e estadual por meio de convênios.
As 4.957 cidades com até 50 mil habitantes tiveram quatro anos para atender à norma, prazo vencido ontem.
Levantamento
da CNM (Confederação Nacional dos Municípios) feito com 1.690 delas
mostra que 37% não disponibilizam as informações exigidas pela
legislação.
O presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, diz que o número é só um indicativo da dificuldade dos municípios em cumprir a lei.
Para
ele, a proporção real tende a ser maior, já que a amostra da pesquisa é
qualificada, por só registrar, por exemplo, a situação de prefeituras
que tinham funcionário disponível para responder as questões por
telefone.
Ziulkoski diz que, apesar de concordar com mérito da norma, ela é um factoide que não corresponde à realidade brasileira.
O
cumprimento objetivo dessa lei exige condições financeiras, de pessoal e
tecnológicas que as cidades não têm condições de oferecer. Não há como
cumprir sem os recursos que o governo federal deveria investir, como
está previsto na própria lei.
A dificuldade dos municípios motivou a CNM e até governos estaduais a oferecerem ajuda às prefeituras.
Em São Paulo,
208 cidades recorreram a um programa do governo estadual para a criação
de portais da transparência adequados à lei --indicativo do número de
municípios que não cumprem a norma.
Em
pesquisa anterior realizada pelo governo paulista, os problemas mais
corriqueiros relatados foram a falta de capacitação técnica dos
servidores e o custo elevado de terceirização de serviços.
Além
dos problemas enfrentados pelas prefeituras, os Tribunais de Contas dos
quatro Estados com maior número de municípios não tinham um quadro
geral do cumprimento da norma.
Os órgãos estaduais são os responsáveis por fiscalizar a adequação das cidades à lei.
Em São Paulo,
o tribunal disse na segunda-feira que enviaria ontem um e-mail às 645
prefeituras questionando se as determinações estavam sendo cumpridas.
Na
Bahia, o setor responsável realizava ontem um levantamento nos portais
das prefeituras. Diz, no entanto, que as certidões emitidas para que as
prefeituras firmem convênios já levariam em conta as novas exigências.
O
levantamento no tribunal de Minas também estava em curso ontem. O TCE
do Rio Grande do Sul tem um levamento extenso, mas realizado em 2012.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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