C.FED - Prefeito quer compensações por danos da mineração
O
prefeito de Parauapebas, no Pará, Valmir Queiroz Mariano, e vereadores
da cidade apresentaram ontem (30) na Câmara dos Deputados um conjunto de
propostas de alterações no novo Código de Mineração. A cidade abriga a
maior mina de minério de ferro do mundo, explorada pela empresa Vale.
O
prefeito Valmir Mariano quer compensações efetivas pelos danos atuais e
futuros da mineração. Parauapebas é responsável pelo PIB desse País,
mas sabemos que toda essa riqueza é efêmera. De repente, nós podemos, em
um curto espaço de tempo, deixar de ser o grande polo minerador e ser
um polo favelado. O nosso município, ainda na sua maioria, é de casa de
madeira coberta de lona preta. Eu costumo dizer que Parauapebas é o
quintal da Vale, e um quintal muito mal cuidado.
O
relator, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), informou que pretende dar
compensações a municípios que, apesar de não terem minas, sofrem com a
exploração dos minérios. Nós iremos colocar 10% da arrecadação da CFEM
(Contribuição Financeira sobre Exploração Mineral) para os municípios
impactados pela mineração. O relatório está sendo feito com a
participação de todos aqui.
Quintão
acrescentou que pretende apresentar o relatório já na semana que vem.
“Queremos distribuir para a comissão um relatório preliminar para que os
parlamentares possam dar a sua contribuição final também e aprovar esse
relatório para brindarmos esse País com uma lei nova que venha a
distribuir melhor essa receita e a contribuir com o desenvolvimento do
País.
O
último debate da Comissão especial do novo Código de Mineração
(projetos de lei 37/11 e 5807/13) tratou também da importância de
minerais estratégicos, como nióbio e terras raras.
O
Brasil detém 98% das reservas conhecidas de nióbio no mundo. Esse
minério tem aplicação sobretudo na siderurgia, devido a sua capacidade
de tornar mais leves os produtos feitos de aço.
Já
as terras raras ainda são pouco exploradas, apesar do grande potencial
do País. Esse conjunto de minérios tem elevado valor devido ao uso em
produtos de alta tecnologia, mas ainda carece de políticas e ações que
direcionem sua riqueza para o desenvolvimento do País, segundo o
presidente do Centro de Tecnologia Mineral, Fernando Lins.
O
Brasil, de modo geral, tem um bom capital natural per capita, mas isso
não quer dizer nada se não for usado para transformar esse País. É
preciso capital humano e tecnologia para pegar o que a natureza nos deu e
transformar em coisa útil para o País, assinalou o dirigente.
Lins
explicou ainda que o conceito de materiais estratégicos já esteve
associado a objetivos políticos de países hegemônicos, nos tempos da
Guerra Fria, mas que, hoje, é sinônimo de recursos minerais escassos ou
muito importantes para determinado país. “O Brasil tem alguns deles em
abundância, como é o caso do nióbio (98% das reservas mundiais) e é
carente em relação a outros, como o carvão metalúrgico (100%
importados), potássio (90%) e fosfato (50%). Quanto às terras raras, já
existem algumas articulações dentro do Plano Brasil Maior no sentido de
se criar novos negócios e uma cadeia produtiva efetiva no País.
Audiências da comissão
Ao
todo, a comissão especial realizou 17 audiências públicas na Câmara e
fez outras 18 mesas redondas nos estados, em todas as regiões do País. A
intenção dos deputados era cobrir uma lacuna deixada pelo Executivo,
que enviou uma proposta (PL 5807/13) de novo Código de Mineração para o
Congresso Nacional, em junho, com urgência constitucional, mas sem
debatê-la previamente com os setores diretamente interessados.
O
tema é complexo e polêmico sobretudo diante dos impactos
socioambientais de um setor produtivo importante para a economia do
País. O relator, deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), já acatou várias
das sugestões apresentadas nas audiências públicas, como, por exemplo, a
fixação em 4% da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração
Mineral, paga a título de royalties ao município produtor de minério de
ferro.
Além
das audiências públicas e mesas redondas, os deputados da comissão
especial também fizeram visitas a empresas e a centros de pesquisa em
mineração.
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