Parlamentares criticam fiscalização de planos de saúde pela ANS
Deputados da Comissão de Defesa do Consumidor criticaram a fiscalização
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aos planos de saúde.
Ivan Valente (Psol-SP) e Reguffe (PDT-DF), que pediram audiência pública
sobre o tema, consideraram a atuação da agência insuficiente para
coibir os abusos praticados.
A comissão ouviu entidades de defesa do consumidor e o presidente da ANS, André Longo, nesta quarta-feira (10).
Ivan
Valente lamenta que a saúde tenha se tornado uma mercadoria e que o
governo privilegie a saúde privada em detrimento do Sistema Único de
Saúde (SUS).
Ele
vai apresentar uma proposta de fiscalização e controle para que a
Câmara investigue a fundo os planos de saúde e a fiscalização do setor
feita pela ANS. Como toda agência, ela deve fiscalizar, mas percebemos
que existe uma parceria, para não dizer uma promiscuidade, entre o
agente que deve fiscalizar e o fiscalizado. Fica clara a impotência e a
negligência da Agência de Saúde Suplementar para responder as demandas
que são colocadas.
Campeões de reclamações
A
advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Joana
Cruz, informou que os planos de saúde são os campeões de reclamações há
11 anos nos atendimentos feitos pela entidade. As principais queixas
recebidas são: negativa de cobertura; reajuste abusivo; demora de
atendimento; e desligamento unilateral. Todos esses quesitos encontram
previsão legal, mas muitas vezes o consumidor não tem como esperar a
atuação dos órgãos de defesa e acaba pagando por fora para fazer o
tratamento ou recorre ao SUS.
Valente destacou ainda que 88% dos casos contra planos de saúde que vão à Justiça são ganhos pelo consumidor.
O
presidente da ANS, André Longo, rechaçou as acusações e informou que a
agência tem atuado na solução de conflitos, política considerada por ele
mais eficiente do que a aplicação de multas às operadoras. De 75 mil
reclamações que recebemos em 2012, quatro em cada cinco foram
solucionadas. O foco da agência mudou da multa, sem esquecer a multa.
Nós vamos continuar cobrando a multa, mas temos de ser proativo, porque a
multa vai demorar 5, 6, 7 anos tramitando pelos excessos de recursos e
procrastinação, ela não interessa mais ao consumidor, que foi lesado,
ali, no início do processo. Nós precisamos fazer com que ele seja
atendido naquilo que contratou. Essa é uma mudança de postura da agência
nos últimos três anos.
André Longo informou que a agência vai buscar avançar na portabilidade, o que daria mais poder de barganha para os consumidores.
Análise de processos
André
Longo disse ainda que a agência reduziu de 12 para 4 meses o tempo de
análise dos processos administrativos contra operadoras de plano de
saúde. Foram 4 mil processos analisados em 2012, mil a mais do que no
ano anterior. Três operadoras foram suspensas, como medida cautelar.
Ele
reconheceu que ainda há um passivo de processos parados a ser
enfrentado e pediu apoio dos parlamentares a projeto de lei que cria 300
novos cargos para a ANS, o que daria mais poder de fiscalização ao
órgão.
Burocracia
O
deputado Reguffe avaliou que a ANS deveria ser muito mais dura com as
empresas do setor. Ele criticou o cancelamento de planos de saúde de
forma unilateral pelas operadoras e a pouca regulação nos contratos
oferecido a funcionários de pequenas e micro empresas. Como um pequeno
grupo de quatro ou cinco pessoas pode se defender frente às grandes
seguradoras?, indagou.
O
parlamentar cobrou medidas da ANS para reduzir a burocracia nos planos
individuais e diminuir os preços dessa modalidade. Ele sugeriu ainda
que, mesmo com o sucesso da mediação de conflito, as operadoras sejam
multadas pela agência.
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
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